Das botas, os Costa, Vieri. Saltitos aos 35
O ano passado tinha as botas, As botas pois. E estava contente por tê-las, lembro-me bem disso.
(assobiando)
E esta rapaziada da Línea C a arruinar-me memórias de infância? “Mêmassério…” em minha casa havia um (ou dois?) porta-canetas que eram as chaminés da companihi, as amarelas com o C e dois pontitos, estão a ver? Pois havia, e era aquela a minha referência para chaminés de navios. Não sendo Costa um exclusivo lá de casa (papai falava-me de Titanics e Lusitânias muito antes de James Cameron fazer sequer o Abismo). E agora afundam-nos e encalham-nos assim, não há respeito por uma infância feliz .
Ainda as tenho. As botas, sim. Mas hoje não as trouxe, não as escolhi. Estão lá. Ainda gosto delas, fazem-me sentir mais alta e isso. Mas também me cansam.
(assobiando)
E no mesmo café do golo do Koeman, o golo do Vieri ao Paok contado a um amigo com quem falava de bola. Contei-lho, “sem ângulo” e assim. Ele, que ía ver e logo me dizia se sim ou não, da grandeza de Bobo Vieri. À noite voltamos a ver-nos (muito tempo de café, nós) e ele de amiga a tira-colo e mesa para mesa diz-me “Marta, já vi o golo do Vieri”. A querida intromete-se. Ele descreve. Ela opina: “ya, pelo que estás a dizer não foi nada de especial” pena na altura não me ocorrer o “bitchplease” como hoje em dia. Olhei para ele “I got this” li-lhe nos olhos. Repetiu e rematou “é um granda golo, sim”.
E hoje não as trouxe. As botas, clao. E um dia deixo de as usar. Digo eu.
Trouxe umas rasas. Baixinhas, e à Pocahontas meets Robin Hood. Fechos abertos. Boas para saltitos. Gosto destas novas botas. E ainda gosto das outras, sim.
Entretanto são 35 e ninguém diz. Pois não diz, mas são. Não diz e eu de facto ainda espero Nárnia quando abro um armário, e ainda gosto de save as jpg muitas fotos de Buffon, Totti e companhia, sim. Mas há outras coisas que desdramatizei quando os 30 hit me. Os 32, mais concretamente. Não sei porquê, não sei como foi. Sei que foi. E ainda bem.
Mas o ano passado adorava andar com elas (as boots) e isso é que fica, não é? Pois é, pois é. Pela de hoje – que é tão pouca e tal… E António Botto aplicado a bot(t)as? Tudo em família, espectacular.
E um dia, arrisco mesmo, que me habituarei a não as ter. De tudo quanto nós fomos, apenas sei que sou triste. Not really, botas há imensas. Ouça.
eheheh tanta adrenalina!!! That’s good
Helder Marques
Março 1, 2012 em 6:31 pm
Marta
Março 1, 2012 em 10:42 pm