Posts Tagged ‘metro’
da manhã e porque não deito fora. fica aqui
Voltei hoje de férias. Detesto dizer isto com um sentido definitivo, como se estas férias fossem as únicas. Felizmente não são nem únicas, nem as últimas. No metro, vou a pensar que tenho de confirmar qual a semana de Setembro que tenho marcada. Mas a verdade é que estas foram as maiores. Duas semanas, um luxo. Sprinto de fim-de-semana para fim-de-semana, mais nesta altura quem em qualquer outra.
Trabalhar em Agosto em Lisboa é o que se sabe: um marasmo. Ah, que sabe bem a cidade assim e não sei quê. Sim, não está mal. São os 25 dias puxados para cima e para baixo e a cabeça ou os pés ficarem sempre de fora, não poder ter mais férias em Agosto, que me chateiam. Eu sei, 50 que tivesse seriam poucos. “És preguiçosa, Marta” – *yawn* toda a vida ouvi isto em relação a coisas tão menos óbvias, afecta-me zero. Sou um Zé Carioca assumido, sim. Faço o que tenho a fazer, mas se pudesse viver em ócio permanente, não tinha cá pruridos.
O regresso, pois. Quando me atraso jogo às penitências: apanho o comboio mais rápido – vulgo, “o rápido” – e normalmente tenho de fazer a viagem em pé. Hoje atrasei-me ligeiramente e fiz o mesmo, de castigo viria de pé mas compensava o atraso. A diferença em Agosto: lugares sentados de sobra. O Verão é esta sensação de que o crime compensa, sim. E eu já tirava o Antigo Testamento da cabeça e parava de o subverter.
Fugi às 18.00 e não confirmei a semana de Setembro, entre as centenas de mails, uma equipa de pantanas durante as minhas férias porque teve de ser, e a pressa de sair à hora pelo menos hoje.
Entradas e saídas do metro. Inclui torniquetes
Agora que estou num nível mais próximo do Nirvana no que toca a entrar e sair do metro, posso falar nisto. Sinto-me um Pai Mei desta verdadeira arte que é deslocar-me debaixo da terra.
Que truques para a não irritação logo pela manhã ou ao fim do dia? Nada a fazer: é esperar de lado que saiam para entrar, e sair ordeiramente. Fácil, mas isto explicam-nos aos cinco anos para a vida em geral. É crescer e aplicar. Assim, ainda se aprecia o comportamento da maioria das pessoas. Já sei, todos sabemos do que falo, mas nenhum de nós o faz. Mas asseguro que é a maioria.
Por mais lógico que seja o contrário, as pessoas querem sempre entrar sem que toda a gente tenha saído. Investem por tentativas, é vê-las ameaçar passinhos em frente, balançando ombros e cabeça até conseguirem uma aberta e lá vão elas.
Juro, ju-ro que um dia destes, pelas seis e meia da tarde vi duas pessoas entrar e duas sair ao mesmo tempo. Na mesma porta. Ficaram as quatro entaladas umas nas outras. Isto é verídico. E quem cedia? Nenhuma. Nem uma dela. Continuaram em frente até se desenvencilharem daquele emaranhado de braços, sacos, malas e casacos. Não trocaram uma palavra, um olhar. É assim uma relação no metro. Tão íntimos e tão distantes.
Há alturas em que vamos encostados uns aos outros, numa proximidade que não permitimos a tanta gente com quem falamos e estimamos. No metro ninguém se rala, quer-se chegar e vale tudo.
Depois há os – não para mim – abomináveis torniquetes. Os dramas que se fazem à boca do torniquete se o passe ou bilhete (sobretudo de outro) não está a funcionar. Os saltitos a pensar se se muda de fila ou não, os desvios à última da hora para a fila do lado a fazer toda a gente andar uma casa ao lado e nem dar por isso.
Vão por mim: passada a fase de irritação, isto chega a ser divertido de ver.