Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

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É por ali.

Não que este pare. Ou continue. Sei lá.

Written by Marta

Outubro 4, 2012 at 9:14 pm

Na categoria Interlúdio musical

A minha equipa

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Deixei a minha equipa nem há duas semanas. Ainda é minha, e sempre será. Chamo “minha equipa” àquela que veio e se consolidou no final de 2009. Os que vinham de trás, os que entraram por essa altura. Mesmo que alguns tenham saído entretanto, incluo-os na minha equipa, neste caminho longo que foi ter uma equipa.
Eu sempre tive um grande neon sobre mim que dizia “chefe” e, ainda que todos nos dessemos sempre bem, o ambiente fosse bestial, sei que esse neon existia e eu própria não invadi nunca mais do que achei que devia. Sou assim, não invado mas isso agora não é importante.
Importa que vi a equipa evoluir, vi aparecerem amizades e uniões inabaláveis. Fui criticada por salientar um ambiente que para mim era saudável, para outros um veneno. No fim do dia, essas teorias valem zero, ze-ro. Adiante. Há amigos ali, bons amigos, sei isso e gosto que haja.
Há private jokes que não esqueceremos, cantigas, disparates, momentos. Houve tensões, ciclos de facturação e horas extra que dificilmente se suportariam se não houvesse esse ambiente. Mantenho a minha e não abro. Não fui feita para isto, está visto.
Escrever, de escrever é que eu gosto e hoje precisava de fazer isto. Porque é a minha equipa, porque os verei sempre como grupo, porque não o fiz antes e hoje não saberia expressar-me de outra forma. Acima de tudo porque hoje perdemos o Chuckyzinho, a Manchinhas. Perdemo-la para sempre e estas, que são as verdadeiras tristezas, não se suportam com trabalho e horas a mais. Perdemo-la, e já há dias que me preocupa como estariam com todo o pesadelo do último mês e meio. Só por isso, só para poder estar com eles, gostava que a minha saída tivesse sido adiada uma ou duas semanas.
Eu podia dizer o que ela foi, sentada na minha diagonal, os olhinhos azuis a rir muitas vezes a medo, sem saber bem se me ria também ou falava a sério. Podia falar nas cantorias e associações de ideias mirabolantes que vinham daquela cabeça cheia de tanto de tudo. Mas isso são coisas que ficarão para nós, para eles principalmente, que vivemos de perto. Tenho medo que os pequeninos muitos aqui se tornem nadas, e eu gosto de guardar essas pepitazinhas. E dela guardarei muitas.
Dobro só o cantinho, desta vez por um motivo triste.

Written by Marta

Julho 3, 2012 at 8:16 pm

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Esta é muito boa

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É tão gira… vou contar.
Estávamos, estava eu, no terceiro ano de História (e devia estar no quarto, adiante) quando isto se passou. É mesmo engraçado, muito engraçado.
A Cilinha também estava, mas não repetia a cadeira. Tinha 246 anos mas não repetia cadeiras na universidade, Deus nos livre. A Cilinha ía ser professora, eu estava no caminho científico da História, mas tinhamos aulas em comum.
Nesse ano sentava-me à frente, não tinha tempo a perder. Sentava-me tirava apontamentos e saía porta fora. Mas gostava das aulas. Da matéria, quero dizer. O terceiro ano era a Idade Moderna em várias cadeiras e eu sempre fui fã. Ah, não vamos agora discutir se sou uma imperalista e uma tirana, despótica, que isso não vem ao caso. O que há para contar é deveras cómico, deveras digo-vos eu.
A aula era de História Moderna, o delírio. Hum? Sim, o delírio, Carlos V, Henrique VIII, Francisco I e assim. Bof, então não delirem, qué lá saber. Vá, era uma aula dessa cadeira e falava-se de Luis XI. Este morreu e quem lhe sucedeu foi Carlos VIII, seu filho.
A Cilinha não tinha um fio de cabelo fora do lugar. E talvez tivesse os olhos pintados às nove. Vejo-a sempre de caneta com plumas, mas não posso jurar que não seja já imaginação minha. E tal como não tinha um fio de cabelo, não queria reis fora da ordem. Pediu explicações “Desculpe, pode repetir?” e o professor paciente e simpático: “Claro. Então… morreu Luis XI e sucedeu-lhe o filho Carlos VIII”. Cilinha ouviu com a caneta encostada ao queixo, a fazer beicinho, e exclamou: “Isso não faz muito sentido, pois não? Se é onze, o outro devia ser doze”.

Não teve graça nenhuma, pois não? Na altura também já não achei. Ninguém explica a ninguém “os números dos reis”, é uma coisa que se subentende em criança. Isto passou-se no terceiro ano da faculdade.
Eu? Eu olhei para o meu professor incrédula (e furiosa, não tinha tempo a perder e foram os segundos mais inuteis da minha vida, juro) e para o resto, mas como ninguém reagiu pode ser que tenha sido só um sonho.

Written by Marta

Maio 15, 2012 at 8:52 pm

Titanic

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Em época de Titanic (já são dois, ou o mesmo, mas segunda vez, não serão épocas mas apetece-me e dá-me jeito para o post) o que mais oiço é “Ah que o Titanic não vale nada, e agora vais ver isso para quê?” E eu vou.
Nunca foi o Di Caprio, impliquei com ele até tarde. Ou até Scorsese me mostrar que havia ali mais. Na verdade, até tinha visto sem querer o “This Boy’s Life” e gostei bastante. Mas na altura do Titanic, das meninas, das não nomeações e amuos, impliquei com Di Caprio. Não era ele, sou eu. Feito o mea culpa.
Não vi o Titanic em 1997, fiz birra. E a minha birra foi porque desde pequena ouvia falar no Titanic e não em histórias de amor a bordo. O meu pai não me contava muitas histórias mas falou-me sempre do Titanic, do Lusitânia e outros. E eu impliquei com o romancezinho, com o Di Caprio, com tudo em geral. Na tv, mais tarde, achei que talvez tivesse perdido uma coisa em bom no cinema, e hoje recuperarei esse tempo perdido em 3D. Mas na altura o meu estandarte era “a mini-série é que é, bof”.
Estranhamente no meu caso, não foi sequer implicar com a Kate Winslet, juro. Até achava graça àquela escolha menos convencional. Não, eu prendia-me a pormenores do tipo “não acredito, o James Cameron reconstituiu tudo, o serviço, percebem? o serviço, e tudo o que se vê são eles a correr pelo navio e sei lá que mais”. Fui quase uma mãe de Bragança do Titanic, admito. Ter vinte anos desculpa isso? Não sei, mas jogo essa carta na mesma.
E não sei como não quis ver, se já na altura filme catástrofe me fazia o dia, e aquele eu até sabia que não tinha volta a dar no fim (não é pun porque o Titanic não virou, se este post fosse sobre o Poseidon e teria tido muita graça. ou não, pois). Mas não vi, nunca vi o Titanic no cinema e sim, fiquei com alguma pena. E um dia lembrei-me que o Billy Zane desapareceu um bocadinho (ou eu não o vi mais), e dei uma cabeçada na parede por não ter visto o Titanic no cinema (já tinha dito?). Vejo-o em 3D, a boca do Billy Zane em 3D valerá a pena, é garantido.
Entretanto passaram estes anos todos, faz este mês, por estes dias, cem anos que o Titanic foi ao fundo e eu verei o 3D do J. Cameron. Sem birras e mais velha madura, pois. Para não variar, esqueci-me dos óculos, acumulo-os em casa para nada. Mas vou.

Written by Marta

Abril 14, 2012 at 3:49 pm

Das botas, os Costa, Vieri. Saltitos aos 35

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O ano passado tinha as botas, As botas pois. E estava contente por tê-las, lembro-me bem disso.

(assobiando)
E esta rapaziada da Línea C a arruinar-me memórias de infância? “Mêmassério…” em minha casa havia um (ou dois?) porta-canetas que eram as chaminés da companihi, as amarelas com o C e dois pontitos, estão a ver? Pois havia, e era aquela a minha referência para chaminés de navios. Não sendo Costa um exclusivo lá de casa (papai falava-me de Titanics e Lusitânias muito antes de James Cameron fazer sequer o Abismo). E agora afundam-nos e encalham-nos assim, não há respeito por uma infância feliz .

Ainda as tenho. As botas, sim. Mas hoje não as trouxe, não as escolhi. Estão lá. Ainda gosto delas, fazem-me sentir mais alta e isso. Mas também me cansam.

(assobiando)
E no mesmo café do golo do Koeman, o golo do Vieri ao Paok  contado a um amigo com quem falava de bola. Contei-lho, “sem ângulo” e assim. Ele, que ía ver e logo me dizia se sim ou não, da grandeza de Bobo Vieri. À noite voltamos a ver-nos (muito tempo de café, nós) e ele de amiga a tira-colo e mesa para mesa diz-me “Marta, já vi o golo do Vieri”.  A querida intromete-se. Ele descreve.  Ela opina: “ya, pelo que estás a dizer não foi nada de especial” pena na altura não me ocorrer o “bitchplease” como hoje em dia. Olhei para ele “I got this” li-lhe nos olhos. Repetiu e rematou “é um granda golo, sim”.

E hoje não as trouxe. As botas, clao. E um dia deixo de as usar. Digo eu.
Trouxe umas rasas. Baixinhas, e à Pocahontas meets Robin Hood. Fechos abertos. Boas para saltitos. Gosto destas novas botas. E ainda gosto das outras, sim.

Entretanto são 35 e ninguém diz. Pois não diz, mas são. Não diz e eu de facto ainda espero Nárnia quando abro um armário, e ainda gosto de save as jpg muitas fotos de Buffon, Totti e companhia, sim. Mas há outras coisas que desdramatizei quando os 30 hit me. Os 32, mais concretamente. Não sei porquê, não sei como foi. Sei que foi. E ainda bem.

Mas o ano passado adorava andar com elas (as boots) e isso é que fica, não é? Pois é, pois é. Pela de hoje – que é tão pouca e tal… E António Botto aplicado a bot(t)as?  Tudo em família, espectacular.
E um dia, arrisco mesmo, que me habituarei a não as ter. De tudo quanto nós fomos, apenas sei que sou triste. Not really, botas há imensas. Ouça.

Written by Marta

Março 1, 2012 at 3:06 pm

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O polegar, o cigarro e o golo de Koeman

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Eramos crescidas, nós. No café, eu e uma amiga. Sempre. Mais amigos de vez em quando. Os grupos iam-se formando e misturando ao longo dos meses. Eramos todos “da Manica”.
Jogavam Real e Barca e ficou uns 5-0 para o Barcelona. Por 94, para aí.
Nós, crescidas. Tinhamos aulas em faculdades diferentes, encontrávamo-nos à noite. No café. E falávamos, quase sempre com assunto, quase. Ríamos muito todos, sempre.
Golos e mais golos. Todos para o mesmo lado. Nunca preferi um dos dois e sempre tive pena do que perdia. Manias.
Cabelos, perfume, as cabeças rapadas dos hunos, o último grito em doces, o próximo corte de cabelo. Amigas a conversar. E a rir. Cafés e águas pela mesa. Cinzeiro.
Livre de Koeman e eu crescida, a seguir conversa e bola. Mais a bola. Golo. Daqueles à Koeman. Seguro a mão da minha amiga, interrompo-a para não perder pitada nem repetição: “que golão!” e sem querer apago-lhe o cigarro com o meu polegar. Rimos: “parecias um gajo, Marta!”

Written by Marta

Fevereiro 9, 2012 at 11:05 pm

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Roma II (acho que é só o segundo post sobre Roma. acho…)

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As viagens ficam sempre, já se sabe. Dois dias fora que seja sabem bem, é todo aquele cliché de fugir à rotina e assim. Adiante que a minha tolerância a este reconhecimento é mínima e esgotou-se há cinco palavras.
Das não muitas viagens que fiz, tenho-me lembrado – um dia destes sonhei que lá estava outra vez valha-me Deus – da viagem a Roma, em 2009. Já aqui deixei um episódio dessa viagem, hoje fica este com pretensão a postal, sempre com grande espalhafato emocional. Histérica em Roma, eu.
Fui a Roma sozinha. Sim… Cinco dias para desbundar aquela cidade que já toda a gente me associava. E eu sentia esse peso: “mas eu não conheço… Não tenho direito a esta chave virtual que me entregam assim sem mais nada” pensava. E não tinha. E não tenho. Mas pelo menos já lá fui.
Sozinha então, sempre a equilibrar-me entre e euforia de ir e estar em Itália e o nervoso miudinho do “vais sozinha mas tens de ser ajuizada”. O meu problema nem é o juízo, que ainda vou tendo algum e quando o não tenho assumo tudo. São mais as distracções, a cabeça na lua nas coisas mais simples: deixo um casaco em qualquer lado e só me lembro quando me perguntam “isto é teu?”. Coro, dou-me um raspanete introspectivo e acho sempre que não volto a fazer. Mas volto. Em Roma aconteceu parecido, mas em vez de um casaco foi um sms que me esqueci de enviar a dizer “cheguei bem” e enquanto saltitava por Roma por prima volta, e o meu telefone carregava no hotel, havia alguma angustia por cá.
Sozinha e turista assumida. Numa primeira vez gosto de fazer a volta dos monumentos e caminhos convencionais. Gosto e pronto. E fiz.

Mas isto era para falar do circo massimo. Eu fui a Roma com os Neros e os Vespasianos na cabeça, tirei fotografias a todo o torso imperial vestido de legionário que pude, e só não tirei mais porque a meio da via dei fori imperiali fiquei sem bateria. Um lado de Roma era incontornavelmente Império para mim com espaço para História Moderna – os papas, o Papa Julio II e o Castelo sant’angello tatuado no coração para sempre -, e algum (mas em tão bom) Michelangelo. Tudo isto correspondeu às expectativas. Corri o Vaticano sozinha e à minha vontade, apreciei mais armários com seiscentos anos do que o seu conteúdo, passei à frente os pós-modernos e deixei-me levar pelos renascentisas – tenho a convicção de que o Vaticano é mais deles. Mas o este pedacinho de Roma e a minha ligação pagã-metida-num-mundo-cristão ficam para um outro post.
Continuando por Roma. Dei voltas ao coliseu, saltitei pelas ruínas e não fazendo vida local, em Roma fui romana, porque como andava sozinha ninguém me maçou com fotografias ao lado de legionários paquistaneses. Deste passar despercebida, momento de glória no metro: “Lepanto… da questa parte o da quella?” E eu solícita e sem tropeçar num “ah, eu não sou de cá”: “da quella”. Crescida em Roma, eu.
Pegando agora no que era para mim a cidade, uma outra parte de Roma era a squadra azzurra (vide avatar deste blog, não preciso dizer mais e só o refiro porque pode cá passar quem saiba zero sobre mim), mais que Roma ou Lazio, e muito pelo mundial de 2006. Nesse ano devo ter visto todos os videos disponíveis da chegada com a taça, o autocarro pela cidade e a celebração no circo massimo. E foi aqui que se me misturou tudo. O Império sim, mas o circo para mim já quase só foi Cannavaro de fato azul escuro e Totti com os copos. A primeira vez que lá passei ía distraída e conforme avançava, a imagem começou a tomar forma: “eu conheço isto e não é do Ben Hur… ah, foi aqui” e na minha cabeça Seven Nation Army em po po po poooo poo e fratelli d’Italia por milhares de pessoas em formato youtube. Passei lá mais uma vez, e ainda outra (no dia em que percorri Roma a pé tinha planeado apanhar ali o metro para rever uma vez mais). Está feito e fica aqui lembrado. Voltando a Roma posso já não ir sozinha, posso não querer maçar alguém com um “vamos só ver onde se cantou e festejou o tetra”. Ficou visto e foi uma coisa só minha. Mesmo agora voltava a Roma ainda que não fosse para rever este bocadinho. Saudades de Roma, eu…

Um dia destes olhei para o meu calendário de 2010 trazido de lá. Não tem o circo, e é uma pena. Não faz sentido.

Written by Marta

Janeiro 27, 2012 at 10:44 pm