Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

Dezembro, o Natal, os portugueses.

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Costumo e gosto de escrever sobre portugueses. Portugueses no sentido de pessoas que habitam Portugal, não têm necessariamente de ter nascido cá. Vejamos se me consigo explicar.
Nunca vivi noutro país, desconheço o dia-a-dia e os hábitos de outras nações e admito mesmo que há coisas universais, inerentes ao humano viva ele onde viver. Mas em que outro país se diz todo o mês de Dezembro: “Ainda agora começou e já não posso ver o Natal”?!, onde mais se diz que não há dinheiro ou ideias para presentes? Não sei, se calhar diz-se por esse planeta fora. A mim interessa-me falar deste bocadinho aqui ao canto que somos nós.
Todos os anos as mesmas conversas: houve uma altura em que as iluminações começavam quase em Setembro e estranhava-se: “Credo! Já?! É só para as pessoas gastarem dinheiro” ou “assim nem se vive o Natal como deve ser, são três meses!”. Agora a coisa até se tem arrastado até Novembro (fim de Outubro nalguns sitios, vá) e logo se levanta a crítica; “este ano estão atrasados!” e a confirmação “ah sim, o ano passado por esta altura, já as luzes da Avenida se tinham cansado de fundir, mas era tão giro ver a cidade luz sim, luz não…”. Nada tem necessariamente de ser verdade, tem só de ser do contra.
Não há volta a dar, o clichet vive em Portugal. Pode viajar… viajar não, que ele nunca se ausenta. Pode ter o seu quê de ubíquo, andar um pouco por todo um lado, mas a frase feita gosta do nosso clima, da bica, da sardinha e da nossa calçada.
Certamente surgirão aqui outros textos sobre clichets em Portugal uma vez que mesmo que eu os ignore, a população atira-mos à cara, di-los quando eu passo e eu por minha vez, tenho um íman que os atrai. Mea culpa aqui.
Em Dezembro a população esmera-se. Vê-se e deseja-se para fazer as suas compras. É vê-los nos shoppings (eu ando lá às compras assumidamente, nada a esconder), como ainda ontem vi. Picture it: mulher-barril, não mais de quarenta anos, parada numa esquina sem o cuidado de se recolher para deixar passar quem circula. Diz à prole e a quem quiser (ou não, como eu) ouvir: “Olha p’ra isto… diz que há a crise… mas eu vejo tudo às compras, é só dinheiro”. E ela ali, no meio de artigos suecos de montar e desmontar. Tive pena que ela não fosse um. Desmontava-a eu mesma, sem precisar de intruções. Assim, não pôde ser. Passei à frente.
É cansativo. Devia haver uma selecção todos os meses de Dezembro. No principio perguntava-se a todo o Portugal: “quer ter Natal? Tem paciência para o Natal? Promete não dizer que já não o pode ver, a não ser que seja no verdadeiro sentido uma vez que ninguém o vê objectivamente, e aí estaria a mentir porque se nunca o viu não pode já não o ver? Compromete-se a celebrar o Natal com ou sem presentes e se decidir que é com, não se queixar por ter de os ir buscar a algum lado?”. As pessoas respondiam e acabavam-se as desculpas.
O pior… o pior é que na noite de 24 todas as pessoas que disseram que já não podiam ver o Natal, que é só consumismo e comezaina, não falharão e terão o bacalhau, as filhoses e as rabanadas (muitas vezes compradas também) nas suas mesas e os presentes “que até parece mal não dar” para fazer um brilharete. E gostarão de receber, concerteza. Não os censuro. Só gostava que pensassem um bocadinho antes de falar. Ou então me desligassem o raio do íman que a única utilidade que tem é escrever mal do alheio. Sempre com a mira no mesmo alvo. Voltarei.
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Written by Marta

Dezembro 14, 2008 às 10:43 pm

Publicado em Uncategorized

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