Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

Rebajas, sales, saldos

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É altura de promoções. Os saldos começam cedo. Cada vez mais cedo, preços baixos e a confusão de sempre. Um corre-corre, lojas cheias, filas enormes, pilhas de roupa no braços, miudos pela mão.
Casacos que custavam o dobro – é a qualidade, sabes? – e agora estão ali ao preço de qualquer top de alças. Camisolas que no Verão eram também duas vezes mais. Preços mal marcados, mas ninguém quer saber:
“não faz mal, levo na mesma.”
“Sabe, é que estivemos a marcar ontem à noite… “
“Pois, dê cá mais dois que levo tudo.”
Lojas que estão sempre impecáveis, com tudo no lugar por tons, tamanhos e feitios, viram feiras com pilhas de tecidos duvidos e multiplicam-se os borbotos. Vai-se o glamour e ninguém quer saber. Desdobram, deixam de qualquer maneira, mesmo que seja no chão.
Há fios puxados, botões caídos. Arriscando dizer a uma das funcionárias, responde-nos vivaça e cheia de esperteza saloia: “está aqui” mostrando o botão suplente. Pois está, mas este é para quando se perde outro fora da loja, não ainda lá dentro.
Também eu me aventurei nos primeiros dias. E consegui uma ou duas coisas. Depois não mais voltei a ter sucesso. Lembrei-me de ir àquela que até costuma ter umas coisas assim para safar, mas moderninhas e dão para o que se quer. Lembrei, pois foi. Eu, e meia Lisboa. A fila vem até á porta. Dou meia volta e desisto de ser moderna a preços baixos por agora.
Faltam tamanhos quando se encontram as cores, continuam caros os que têm a medida certa e desapareceram aqueles que deviam estar mesmo bem agora em ambas as coisas. Estou quase a desistir.
No meio da selva de algodões, elastano, fazendas e malhas avisto uma ordem que não é natural. Aproximo-me e olho com mais atenção: túnicas mais leves e frescas, malhas de tons silvestres em claro, algumas meias-mangas. Tudo ali dobradinho e arrumado a chamar a Primavera. É puro marketing. Depois de ver as novas colecções não apetecem mais saldos. Como é que agora quero lãs e calças quentes do monte, da pilha, da verdadeira pirâmide feita ao longo de um dia por quem entra, olha e não leva, em colaboração com empregadas que não redobram a função de dobrar dada a época do ano, quando estas estão aqui perfiladinhas, exibindo-se ordeiramente para mim? Ali quietas, imaculadas à espera que ceda.
Depressa desperto deste transe. A confusão não pára nem espera pelos meus delírios. Já não é só numa loja que a fila é kilométrica. É em todas. Dir-se-ía que houve uma explosão de armários: há roupa aos montes nas mesas, prateleiras e chão.
Uma senhora perto de mim, rodeia uma ilha de camisolas, casacos e pullovers de lã. Vai andando e, como num esquema de ginástica, ou num bailado, desdobra e larga cada peça em que pega. Mais rápido seria tão bonito de ver como um dominó de várias cores a cair. Assim, é só pouco civilizado.
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Written by Marta

Janeiro 4, 2009 às 9:31 pm

Publicado em Uncategorized

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