Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

No supermercado

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Hipermercado. Grandes superficíes. O que se queira chamar-lhe.
Carrinhos, cestos, carrinhos que parecem cestos e cestos que parecem carrinhos. Barcos autênticos, cruzam-se desordenados, de rodas pelo chão ou nos braços de gente se julga sozinha às compras.
Geralmente vou em horários em que não há muita gente, mas de vez em quando lá acabo por ter de ir à hora da batalha naval.
Os carrinhos são deixados no meio do corredor. Chegam a ser atirados no sentido contrário da cabeça, – Ah espera lá que vou ali, toma – esteja quem estiver. Tento mover-me, sem parar onde não preciso e de preferência sem tocar em ninguém. Tento corredores mais vazios o que me leva a passar invariavelmente pelos brinquedos e rações para animais se não houver corredor de plantas. Deslizo, contorno, evito, despacho-me.
Pelo caminho sempre tanto para contemplar. Famílas com recém-nascidos. Pai, mãe, por vezes avós. Todos em romaria para os congelados e enchidos de Arganil. Famílias sem recém-nascidos. Pais, filhos, avós e primos. Os miudos fogem, avós e mães gritam, pai e avô esperam de mãos nos bolsos. Pergunto, porquê? Seria assim tão estranho dois ou três dos adultos ficarem com as crianças fora do espaço enquanto outra pessoa fazia as compras? É impossível para meia população?
Não me atrapalham as crianças a correr ou os casais que se ajudam. Do que eu gostava era de evitar os adultos amorfos, parados no meio das ervilhas e salames a olhar para ontem só porque são eles que vão pagar (e isto já sou eu a tentar uma justificação para a presença de tais seres).
Na fruta, a fita do costume. Se há três balanças há sempre alguém que se julgue com a custódia de todas elas. Se outra pessoa tenta pesar os pepinos ou as nozes, o mais certo é levar uma rosnadela ou um bufar no minímo. Fora a falta de respeito a que se chega em filas mas isso ficará para toda uma crónica sobre filas e esperas.
Onde há senhas é a mim que acontece aquele número digno de candid camera: a minha é o 23, há 2 empregadas. Uma chama o 21 que quer 200 de fiambre da perna, 100 de chourição. A outra chama o 22 que quer ocupar tempo e espaço. Alguém se aproxima e pede uma informação. Quando voltam ao botão, chamam o 24 porque aquela pessoa devia ser o 23. As vezes que isto me acontece não só em supermercados como em farmácias, não tem conta.
Falta falar dos que levam nos carrinhos. Todos precisam dos bens essenciais, sim. Mas grande parte continua com falta de açucar no sangue ou não levavam semanalmente 4 tipos de bolachas. E sobremesas, sobremesas para todos os dias da semana ao jantar, ali mesmo antes de deitar não vá dar-lhes uma quebra de tensão a meio do sono.
Felizmente toda esta gente deve fazer reserva de água à laia de camelo a julgar pelas cervejas e refrigerantes com gás e/ou açucar que levam.
Na caixa mais esperteza saloia. Nas caixas de 15, a explicação para os dez membros da família às compras: cada um fica com 8 ou 9 coisas e despacham-se – ou assim crêem – mais rápido. No fim paga o mesmo tudo. Giro.
A encher os sacos, mais umas vez mãos nos bolsos a ver montras das lojas adjacentes. As mães a gritar, as avós a abanar a cabeça e a trabalhar. Os miudos a fugir.
Fujam crianças, fujam enquanto não embrutecem de vez, como vossos pais.
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Written by Marta

Janeiro 11, 2009 às 4:32 pm

Publicado em Uncategorized

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