Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

Friends ‘till dawn

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Diz o Artur que não vem. Que não, não vai deixar de ficar em casa para nos acompanhar. Está com uma grande neura e não pode sair.
– Deixá-lo, vamos nós, Susana. – diz-me o André.
Eu até sei que o Artur está bem. Está agarrado à playstation e, claro, não quer vir. Acha que vou fazer um drama, dizer-lhe que é indecente, o que tem aquilo de mais importante que nós, um programa nosso, os amigos de sempre para saídas até de manhã. Drama que até sabe que não faço, porque jogamos juntos há muito tempo.
O André tem razão, não vou insistir. Além disso, sair só com o André acaba por ser uma saída diferente. O Artur não sabe (saberá?) que quando não vem, acabamos por passar a noite juntos, tomar o pequeno-almoço e seguir as nossas vidas. Tudo fica como sempre foi.
O Artur está longe disto. Na verdade, também eu. Diverte-me.
Vamos então sair. Um copo aqui, outro por ali. Vagueamos, rimos, não paramos em lugar nenhum, embora vamos aos mesmos de sempre. As mesmas caras, todas as quartas, outras mesmas às quintas, sextas, Sábados. Já nos conhecem.
Quando saio com o André sinto meia sala olhar para mim. Seja uma pista, o balcão, ou a plateia de um concerto. Conhece meia cidade. Conhece muito bem meia cidade feminina. É essa metade que me olha com inveja. Isto também me diverte.
Cá estamos, mais uma vez. Gente no balcão, gente a dançar, gente a observar-nos. Tudo na mesma… tudo, quase na mesma. Quem é esta? Desculpa…? Onde é que ela vai? André…?!
Focus: não somos nada um ao outro, foi assim que ficou falado, não somos nada um ao outro. Na-da. Fui eu que desvalorizei e lhe disse que ou assim ou nada. Nada um ao outro portanto… Nada?! Então… então e as festas, os beijos… e, e… tudo o resto?! Os croissants que sabe serem os meus preferidos – “folhados, estaladiços, mal cozidos” diz ele. Não, isto – este ataque idiota – não me está a acontecer e eu não vou fazer nada.
– André?! – e não sei como, isto sai-me num tom “estás-parvo?-eu-aqui-e-tu-no-flirt?!”. Coro. Coro muito e sinto-me com 15 anos.
O eterno prince charmant sorri, dá-me um beijinho na bochecha – na bochecha?! – e, paternalista, despede-se: “diverte-te miuda, falamos amanhã.”
Isto já aconteceu, claro que sim. Chegamos os três e muitas vezes saímos cada um com o seu par. Outras voltamos os três e ainda vamos comer bolas de berlim antes de ir dormir. E quantas vezes sai o André com alguém e eu e o Artur continuamos na nossa dança, bebida, na nossa vida? Ou outro de nós. Sim, já tem acontecido. Que me deu hoje?
Odeio clichets, detesto cair no óbvio, quero sair daqui e nunca mais ver o André. Odeio-te. Oh não… frases feitas. Saiam, larguem-me, não vos quero. Nem a vocês, nem a André nenhum.
Aos poucos uma sensação que estava longe e agora se aproxima. Medo, percebo o que é… por perto o despeito desmedido, uma ciumeira exacerbada. Vou fugir, ainda não me apanhou por completo.
Saio a correr, apanho um taxi para chegar mais depressa. Toco à porta do Artur:
– Susana? Eu disse-te, não estou bem…
– Cala-te. Estás no PES? Tenho o comando na mala. – entro e sento-me no chão da sala.
Continuamos o jogo, começado ontem, até ser dia e quando volto a ver o André tudo é normal. Sem mais stayovers. Nada como levar o Brescia a ganhar a Champions para travar a estupidez.
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Written by Marta

Janeiro 29, 2009 às 9:27 pm

Publicado em Uncategorized

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