Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

Porque não se deve perder muito tempo

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Vasco. Vasco parecera-lhe ouvir no meio de música, luz e cor. E fora so. Não que ele tivesse terminado, oh não, falou toda a noite. Mas importava-lhe apenas o nome. Um nome diz muito sobre alguém. E o deste loiro, bronzeado – do surf talvez, da neve, de ambos – era Vasco.
De um nome tiram-se comportamentos, formas de pensar e posição favorita para dormir – e só dormir – com o par. Sabia-o bem por mails que recebera com todo o abecedário. Imprimira-o na xerox do administrador entre sorrisos e decotes e estava até hoje, com o A à superfície, em cima da sua mesa da cozinha – que jeito daria agora já ter chegado ao V. Passara os olhos pelo A e correra páginas ate ao G – de Gaby. Pés entrelaçados faziam doer os tornozelos, mas obrigara-se a dormir sempre assim com o Pedro. E com o Gonçalo. Com o Luis não, na altura desconhecia este seu hábito.
– Tu sempre tu, e eu, as minhas necessidades? – chorara perante as resistências e nódoas negras de Pedro. Os mails de signos avisavam: esse Caranguejo será um problema. E ali estava, claro como agua.
Vasco, portanto… Leria o V assim que chegasse, entre o “ponha-se a vontade” e o “ajuda-me com o fecho?”. Não havia de ser pior que um António peixes, um Alberto escorpião.
– Qual é o teu signo? – interrompeu gritando o discurso sobre cinema, música, o Verão. Aquário… Não sabia nada sobre aquários. O seu gato nascera em Fevereiro e só o sabia porque a tia-avó a quem pertencera lho dissera. E o gato não contava.
Vasco então. Vasco, aquário. Não precisava de saber mais nada para aprender quem era ele. Assim que chegasse.
Vasco falou horas com a mulher de quem se tentara aproximar durante meses. Ensaiara um discurso, interessante sem ser maçador. Que não era preciso, “tens um charme natural”, diziam-lhe os amigos. Mas ele empenhara-se, pela 1 vez faria tudo racionalmente. Gaby tom de pêssego e olhos negros merecia-o.
Muito Vasco lembrou os amigos na manhã seguinte quando saiu de casa da que pensara ser a mulher ideal. Ao acordar entre pacotes de aperitivos de outros dias – outras noites, quem saberia? – pelo chão do quarto, e roupa espalhada por toda a casa, dera com folhas. Folhas desarrumadas, passadas à pressa – s, t… U… V, cá está: deixe-se ficar, V saberá guiá-la.
Vasco percebeu a total imobilidade de Gaby durante o tempo que estiveram juntos em casa dela. Sorriu e não voltou a vê-la ou a ensaiar discursos.

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Written by Marta

Maio 11, 2009 às 9:17 pm

Publicado em Uncategorized

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