Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

Alves, o maquinista reformado

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O Alves transpirava os seus 62 anos feitos em Fevereiro. Tinha ido almoçar com os amigos maquinistas a Vila Franca e voltava a casa de comboio, mas como passageiro.
Sentou-se ao lado de uma rapariga. Novinha, como são bonitas. Depois de certa idade, são apenas matrafonas .
Estava calor e Alves via as mulheres cada vez mais despida. Diziam-lhe que cada Verão era mais quente, mas para ele, era simples: as mulheres estavam cada vez mais descaradas. Se ele gostava de ver? Concerteza que sim. Não incluía a mulher Amélia ou a filha Guidinha, obviamente.
Estava no meio dos seus muito vagos pensamentos quando apareceu o Lopes. Uma festa encontrar o Lopes, também maquinista, ali. Os dois dentro do comboio mas como passageiros. Falaram de como
ía a vida, fizeram graçolas sobre estarem fartos de comboios e ali estarem dentro de um, comentaram o sindicato e a falta de “quem pegue nas coisas”.
O Alves falou ao Lopes num terceiro colega que “só queria mulheres, deu-se mal pá. O chefejá o pôs a andar, mandou-o para Tomar.” Falaram acerca das respectivas esposas –matronas respeitáveis e humildes – despediram-se. Lopes saía uma estação antes de Alves.
Voltou a concentrar-se na rapariguita ao lado. Via-lhe o decote descaradamente, o cabelo comprido que adivinhava cheirar bem. Naquele momento se houvesse dois Alves o outro dir-lhe-ía: “então já não te parece mal?” e teria como resposta um babado “larga-me da mão, omen’… “ Não lhe parecia nada mal, nada descabido mesmo.
O comboio parou. Saiu Alves, saiu a rapariga logo atrás. Seguiram o mesmo caminho a pé. Alves, sem a mínima noção voltava-se para trás de cinco em cinco passos a observá-la. Chegava inclusivamente a parar para a ver bem.
Estava calor e ao fim de um tempo concentrou-se no caminho, estava quase a chegar. Sentiu uma pessoa aproximar-se e ouviu uma voz feminina: afinal a pequena não lhe resistira, ah ía poder voltar a olhar aquele decote de perto…
– Adeus senhor Alves, o meu pai manda cumprimentos lá para casa. Diga à Guidinha que lhe ligo hoje ainda, sim?

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Written by Marta

Maio 28, 2009 às 9:42 pm

Publicado em Uncategorized

Uma resposta

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  1. Muito gira, esta “cronicheta”. O Sr. Alves, tal Frei Tomás – “Olhem para o que digo e não olhem para o que faço”. A verdade é que, seja novo ou seja velho, qualquer homem gosta das vestimentas de Verão das moças (quem provoca quem!?). A diferença é que os velhotes não conseguem disfarçar… ou não querem.A última frase é simplesmente genial e deixa-me a pensar: “Será que o coração do Sr. Alves aguentou!!??…” :-))) Beijinhos

    João Telo

    Maio 28, 2009 at 10:48 pm


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