Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

Carolina e Gaspar ou do atum

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– O Gaspar não quis mais saber. Não quis. Partiu um dia e não voltou.
Carolina ao telefone, enrolava o cabelo nos dedos. Observava os pes e pensava em que tom queria as unhas para disfarcar o amarelado do fungo.
– Oh filha, não sei. Não lhe fiz nada. Pois… que era um paz de alma, e gostava de mim bem eu sei. Não sei que lhe deu.
Entre os dedos o canudo desenrolava para voltar a enrolar. Uma ponta espigada, que chatice. Não bastavam as raizes com 3cm… Teria atum para o resto da semana? O cabeleireiro estava primeiro e uma dieta não faria mal.
– o Gaspar e um totó que queres? Ai Adriana não, não me venhas outra vez dizer que foi não ver com ele o por do sol e mais não sei que. Eu sei que não era por do sol, são os filmes, a musica. Não tenho pachorra.
Levantara-se e para ir a despensa. Nada de atum. O imbecil fora embora dois dias antes das compras. E era ele que as fazia. E pagava. Nem atum de sobra sabia comprar. O inutil. Iria ao cabeleireiro e metia a semana se ferias. Ainda tinha dias a gozar e tb já não ia para Punta Cana. Tinha ligado para a agencia mas Gaspar antecipara-se a desmarcar. Assim, poderia tratar do cabelo e não precisava de comer. Calmantes e bastante agua se encarregariam de que nada corresse mal ou sentisse fome.
– E que te importa? Deixa-o la, a mim custou menos que a ti. Acreditas que não me deixou atum? Não deixa estar, ca me governo. Em ultimo caso o sr Azevedo deixa-me pagar quando puder.
Não se lembrara antes. O merceeiro sempre fora amavel e servil. Mesmo que lhe chamasse Azevedo sem saber que se chamava Faria. Mesmo que não lhe respondesse aos bom dia menina Carolina e deitasse beatas da janela para o toldo. Iria fazer as suas compras sem dinheiro. Ate porque o Gaspar levara os calmantes com ele.
– Nunca percebi por que os tomava. Esquizofrénico é o que ele é. Um rapaz daquela idade por favor. Devia era tratar-se bem. O SPA? Não o SPA era só para mim. Foi, so podia ir um e fui eu. Foi uma chatice: como foi a empresa que lhe ofereceu, primeiro que aceitassem que fosse… E depois para nada, não achei piadinha nenhuma a pedras quentes. Para isso aqueço um calhau no fogão.
Do outro lado Adriana ouvia a amiga e suspirava. Não tinha emenda… Gaspar era seu amigo de infância e sabia que era óptima pessoa. Recusava-se a admitir o secreto amor por ele por dois motivos: a lealdade à amiga e o clichet que isso representava. As pessoas esperam que amigos de infancia sintam amores impossiveis uns pelos outros. Soubera sempre, agora tinha a prova na primeira pessoa: Carolina nem percebia a dimensão de um amor, ou de uma amizade leal, ou de bom dia ao sr. Faria.
– ok Carolina… Desculpa, ok Carol. Falamos noutra altura então. Adeus
Sabia que Carolina não prestaria atencao a forma cansada, já desapegada e definitiva como se despedira. Mas já não se importava com o egocentrismo da amiga como em tempos. Sentiu um alivio e procurou o G na lista do telemovel.
– Gaspar, é a Adriana… Lembras-te de quando me convidaste a ir ver o Império do sol e não pude por causa da varicela? Trocamos isso por um jantar amanhã?
Com um sorriso desligou duas horas depois, de jantar combinado e amigo seduzido.
Tinha varias chamadas não atendids de Carolina a que não respondeu nunca mais. Provavelmente queria atum e nem sabia que Adriana nunca gostara desse peixe.
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Written by Marta

Maio 29, 2009 às 6:10 pm

Publicado em Uncategorized

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