Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

Hoje escrevo eu sobre Ronaldo

with 4 comments

Eu não cresci com Eusébio. Cresci com Futres, Damas e Oceanos. Os jogadores de futebol jogavam cá, saíam uns anos, e voltavam. Mas nunca – tirando o rapaz do porshe amarelo – era um furor.
Depois veio a geração de ouro: Rui Costa, Figo e companhia. Estes sim, já saíram em grande e em grande ficaram quase toda a vida.
Ronaldo, Quaresma e outros, já cresceram com estes últimos. Percebo – e gosto – a ambição destes miúdos. Gosto ainda mais quando, no caso gritante de Ronaldo, o talento é mesmo superior ao dos que o antecederam.
Não vou dizer que não vale milhões, não quero sequer saber que existe tabela para humanos. E se quisesse falar, diria que jogadores de futebol perto de NBA ou NFL, são pelintras. Seja como for, quem lhes paga saberá ou não do decoro.
Gostava de dizer só que, de quem muito admirei em campo e vem agora falar, o único que falou bem foi Daniele de Rossi (está perdoada a expulsão, filho). Não deu importância, comentou que se alguém merece é Ronaldo ou Messi. Sensato, quem diria.
Já pessoas pacatas, normalmente de semblante carregado que impõe respeito e um certo fascínio, conhecidas por mercenárias – a troca de um rival por outro nunca foi tão odiada, pesetero explica bem e não preciso de dizer mais – falaram anos depois de terem sido as trasnferências mais caras da sua época (não foi só um, não). Se gostei de Figo? Nem admito que seja posto em causa. Tive cegadas na antiga superior sul, ainda ele não era metade do que veio a ser. Referi-me muitas vezes a ele como o maior do mundo, quase passando por cima de Zidane.
Nada disto importa agora ou chegariamos à anciã do clã Boloni e parece-me desnecessário, uma vez que não se sabe de qualidades defensivas ou atacantes da senhora.
Era de Ronaldo que vinha escrever. Há um ano falou-se em sair de Manchester para Madrid. Eu achei que podia sair mas a não acontecer, deste ano não passava. Porque este miudo é de desafios, passa niveis no campo como em consolas. Ele sim, vive o FIFA09, 08, 07 e se tudo correr bem viverá sucessos e taças até pelo menos 2014. Mínimo.
Em Portugal quer-se ganhar tudo. Bandeiras à janela, gritos de golo, lágrimas por Ricardo. Quer-se a selecção campeã da Europa, do Mundo. Ultrapassa o futebol: vê-se a bandeira longe do território e há emoção – não falo de emigrantes. Quer-se tudo. Temos o melhor do mundo, e quem gosta dele? Eu e a Dona Dolores.
Figo ganhou muito, mas com a mesma idade tinha uma taça ganha no Jamor (com a qual vibrei obviamente, isso não está em causa). Aos 23 anos, Ronaldo conseguiu o que no meio dele nenhum português conseguiu.
Não, não é o meu género. Não, não são definitivamente os penteados, as camisas, os carros. Eu gosto dele em campo, daqueles pés, daquela velocidade e daquela garra. Dos livres, os passes, os golos
Se fala bem? Estando melhor, ainda assim não, não fala.
Se me lembro de não ter dentes? Lembro muito bem.
Amua quando não ganha? Faz ele bem, dá-lhe mais incentivo para a próxima, aprende com os erros. Se chora e faz beicinho? Porque sente mais que muitos a quem ganhar é indiferente. Isso é que me custa: ver jogadores sairem de campo com o mesmo ar, perdendo por 1 ou 6. Jogadores que não correm do início ao fim dos 90 minutos. Mas que se brinque com o beicinho dele, é-me indiferente.
Que se diga “só não estou pelo Manchester por causa de Ronaldo”, é que não é de quem pendura escudo e quinas na janela. E sim, eu posso falar porque a selecção não me faz dar saltos do sofá se houver um golo.
Num país onde se grita em concertos “Por-tu-gal Por-tu-gal Por-tu-gal”, faz-me confusão tanto ódio por um dos melhores de sempre. Não é lógico que quem goste de futebol não goste de Ronaldo.
E o argumento de que pela selecção joga menos é um absurdo. Na selecção não há Rooneys ou Giggs, lamento. Nem espírito. Já houve, deixou de haver. Ainda assim, ninguém me ouviu dizer que não há Mundial. Eu já ouvi muita gente, a mim ninguém ouviu. E eu não sou grande fã.
Só em Portugal, onde se passa a vida a celebrar as medalhas olímpicas em vela de há anos, não se quer saber do Bola de Ouro do ano passado.
Ronaldo e Portugal lembra-me os livros do Asterix. Grande em todo o lado. Todo? Não. Uma aldeia habitada por irredútiveis portugueses resiste ainda e sempre ao invasor.
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Written by Marta

Julho 2, 2009 às 11:08 am

4 Respostas

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  1. Linda!… Se não fosses "Italiana" diria que eras minha irmã. Crescemos, a ver e a adorar o mesmo clube e os mesmos jogadores – só faltou o Carlos Xavier, com quem também cresci e tentava rematar como ele até ao dia em que parti o vidro da janela da vizinha.Também cresci com o Paulinho, sim! o roupeiro. Quantas vezes joguei à bola com ele no Parque Eduardo VII e pouco importava se era cocho ou via mal. Era um dos nossos.Quanto ao Ronaldo estou 100% de acordo contigo e com a D. Dolores. Nós Portugueses, passamos a vida a dizer mal de tudo e de todos, mas quando surge algo de bom, neste caso de fenomenal até, não queremos aceitar. Infelizmente a mediocridade e a inveja ainda prevalecem no sangue e na alma do nosso povo. Em Espanha sempre torci pelo Barça mas, agora, quero que o Real ganhe tudo, excepto… ao Sporting. Gostei muito de te voltar a ler e é bom saber que continuas a escrever sériamente, sem perder o grande sentido de humor que tens.Continua… que hás-de ter sempre pelo menos um leitor atento :-)) Beijinho

    João Telo

    Julho 2, 2009 at 12:33 pm

  2. Luís de Camões quando termina o épico d'Os Lusíadas termina-o com uma palavra: inveja. Já lá vão umas centenas de anos mas este canto na borda da Europa continua a ser pequeno de mais para muitos daqueles que procuram ter sucesso e serem os melhores naquilo que fazem, na sua vida e no (pelo) seu trabalho. E principalmente para muitos (todos?) dos que o fazem dando o melhor de si, procurando pelos seus méritos e pelo seu esforço algo mais do que um triste fado. Quando olho para Ronaldo vejo o miúdo que cresceu no seio de uma família humilde mas disfuncional (enfim, todas elas o são, de uma forma ou de outra…) – o seu pai tinha problemas com o álcool, um dos irmãos com drogas – e que, conseguiu pelas (apesar das?) circunstâncias que o rodeavam, mas acima de tudo pela perseverança e força de vontade transformar-se naquilo que é hoje: o melhor do mundo na profissão que escolheu. Há de facto que lhe aponte a limitação na semântica, e a arrogância, e o narcisismo, e os excessos. Esquecem (ou preferem não ver) o mérito e o esforço para chegar onde chegou, da forma com chegou, na idade em que o fez. Faltar-lhe-à maturidade. A braçadeira na selecção é neste momento mais um peso do que uma conquista. E Madrid será um desafio. Mas para os que têm a vitória no sangue, os desafios são mero oxigénio. deixo aqui o link para uma excelente reportagem do el pais sobre CR. (espero que me perdoes o atrevimento) http://www.elpais.com/articulo/reportajes/chico/botas/oro/elpepusocdmg/20090621elpdmgrep_5/TesOs melhores cumprimentosUm leitor atento

    S. T. Aquino

    Julho 2, 2009 at 9:01 pm

  3. ah, e parabens pelo texto (e já agora pelo blog no geral 🙂

    S. T. Aquino

    Julho 2, 2009 at 9:05 pm

  4. Já tinha lido este post mas não tinha comentado. Senti necessidade de comentar, agora que estava a passar por aqui.Concordo contigo perfeitamente, e o que o Ronaldo disse recentemente deveria "abrir os olhos" a muita gente: que ele chegou a jogar pela selecção logo após a morte do Pai, e isso custou-lhe muito.Como tu dizes, as pessoas não dão valor.Também sou honesto e não tenho pena nenhuma dele. Gosto de ver futebol e admito que torno-me um pouco irracional e emotivo ao vê-lo (digamos que insulto muita gente e não sou desse tipo de pessoas), no entanto, quando um jogo acaba, volto a ser eu e tenho plena consciência que neste País (assim como noutros) se dá demasiado valor ao futebol, e são "eles" que ganham o dinheiro. Nós só perdemos.

    Bruno Bernardino

    Agosto 21, 2009 at 8:54 am


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