Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

Mixed feelings. Gilberto Gil e Robert Enke

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Fui ver Gilberto Gil. Faltava-me estemagnífico para completar o quarteto de musicos brasileiros que não queria deixar de ver. Vi Ney, o provocador, Chico poeta, Caetano e a voz da tranquilidade duas vezes, e agora Gilberto Gil, rei dos jogos de palavras. Está completo e eu feliz. Acompanhado de Jacques Morelenbaum e o filho Bem Gil, Gilberto Gil brilhou esta noite em Lisboa. O concerto foi como se esperava: bom, sereno. Os sons, assobios longos e falsetes de Gil são extraordinários.
Antes de começar, estive de telefone na mão a queixar-me no twitter da falta de educação das pessoas, dos atrasos, dos sentares. Enfim, ficará para um texto mais light. A última coisa que soube antes de as luzes se apagarem foi da morte de Robert Enke. Aqui páro como então.
Sao dois mundos distintos, dois momentos opostos. No entanto, sinto-me em ambos.
Robert Enke morreu? Não consegui acreditar, como sempre acontece nestas coisas. Robert Enke, morto.
Fui confirmar no Google. Pormenor mórbido: na wikipédia já constava data de nascimento e morte – 10 de Novembro de 2009, isto é arrepiante ou isto é arrepiante? Não fui ver motivos, ou pior, como foi. E se puder não os saber tanto melhor. Detesto essa exploração da desgraça alheia. Sim, estou a escrever sobre isso. Pretendo, não sei se consigo, referir o Enke que conheci e esse estava vivo. Que nos atrai tanto nas pessoas depois de mortas? Depois de sair do Benfica esteve em Barcelona, no Fenerbahçe e ultimamente no Hannover (pode falhar-me algum). Era suplente de Lehmann na Mannshaft.
Num flash vi a cara de Robert Enke. As luzes apagaram-se e o concerto começou. Tive de aproveitar Gilberto Gil ali à minha frente. Fechei-me no CCB com ele e quem lá estava. Fiquei ali onde só havia violões (e um violoncelo importantissimo). Ouvi a voz de Gil que é mágica e tranquila como a de todos os grandes do Brasil:será genético ou sugestão minha?
Aplausos. Muitos. Gilberto Gil é enorme. A simpatia, a calma… Belo concerto no mais puro sentido da palavra. Quase duas horas de beleza pura.
Tive naquela sala um último momento. Aquele foi um concerto num mundo já sem Robert Enke. Coisas minhas. Depois acabou. E eu saí de onde me refugiara por umas horas do mundo em que é verdade: Robert Enke morreu.

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Written by Marta

Novembro 11, 2009 às 12:23 am

6 Respostas

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  1. Muito me encantas miuda.Tantas sensibilidades numa pessoa tão divertida.É bom e bonito.Como tu.Nunca me morras,pq eu não gosto de ir ao CCB. JoeJinho.

    José Carlos Faria Besteiro

    Novembro 11, 2009 at 10:02 am

  2. Texto muito tocante…

    piresjmg

    Novembro 11, 2009 at 10:08 am

  3. Texto muito tocante…

    piresjmg

    Novembro 11, 2009 at 10:08 am

  4. spur of the moment. Este texto sou eu, esta mistura e confusão de mundos e sentimentos. Sou assim, não vale a pena disfarçar.:) obrigada aos doisBeijinhos

    Marta

    Novembro 11, 2009 at 10:22 am

  5. Como no FB, ponho aqui um "Like" 🙂

    Fragoso

    Novembro 11, 2009 at 9:35 pm

  6. 🙂

    Marta

    Novembro 13, 2009 at 11:12 pm


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