Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

Uma manhã de segunda

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Tomar umas coisas para desinflamar, deixar de doer, desenpirar. Atirar reforços para dentro da mala, para hoje. Adormecer. Acordar meia hora antes com nova moinha. Aguentar para não tomar nada em jejum. Dormitar. Intercalar com a dor ainda leve, mas já a prometer melhores momentos (para ela). Acordar, tomar banho, vestir. Tomar o primeiro brufen do dia. Esta dor que me atropela os r’s entre consoante e vogal e eu achava ser a visita semestral dos sisos (os sisos costumam doer-me na garganta e ouvidos, coisa ligeira, mas nunca nos dentes ou gengivas), começa agora a parecer-me mais garganta que outra coisa. Sair de casa. Pedir pão para o benurom e café. A dor maior. Não é insuportável sei, e isso, ainda que não me console, dói. Talvez não os devesse tomar juntos, mas isto só me ocorre nos primeiros delírios em que Tiago Bettencourt no Destak me parece Sean Penn. Enjôos. A dor ainda. Mais leve agora.
Arranjar os pés. Ainda um leve enjôo. Cócegas. Eu sem vontade. A senhora, amorosa. A mim, só apetece o fim do dia. Mais cócegas. Contorcer-me no meio delas, o enjôo e os comprimidos. Já não tenho dor. Devia ir à farmácia de qualquer maneira. Só me apetece ir dormir até passar de vez. Arranjar os pés e ir dormir. Não poder. Pensar em pessoas novas, uma semana de férias para acompanhar, pessoas antigas para acompanhar. Pensar. Enjoar mais um pouco. Não querer pintar as unhas e não ir a tempo de o dizer: o pé já está preparado e a senhora de base em riste. O Tonel ontem. Ok, vamos pintar. O Tonel, pois. Os aplausos a João Pereira e Liedson. O outro pé. Mais cócegas. Pensar que ir ver Liedson pode não ter ajudado, apesar de casacos e cachecóis. A banda sonora do salão: Mafalda Veiga, Paulo Gonzo, Polo Norte. Ainda bem que estou dopada. Começa uma música que me é familiar. Menos recente. Pensar que valeu a pena o frio para ver Saleiro. Reconheço Sérgio Godinho e os Silence 4. Grandes recordações de silence 4 all. O dia à minha frente. A dor já não existe. As amigas online. O segundo pé quase pronto. Vai pôr-me um secante mas “mesmo assim tem de esperar 15 minutos”. Deixar sem pensar demais. Esperar. Voar para o trabalho agora que começou a Lady Gaga a cantar.

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Written by Marta

Março 15, 2010 às 8:57 am

Publicado em Interlúdio musical

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3 Respostas

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  1. Martita:
    Já tinha saudades disto…
    Gosto quando misturas vários “temas”, sem sairmos concretamente de nenhum deles. Fazes isso muito bem :-)))
    E desculpa-me… não deixei de rir com a tua Dor & Companhia, Lda :p

    Beijinho 🙂

    João Telo

    Março 15, 2010 at 10:55 am

  2. Muito, mas mesmo muito bem escrito 🙂

    Beijinhos

    João Pires

    Março 15, 2010 at 3:09 pm

  3. Obrigada.. João e João 😀

    Beijinhos

    Marta

    Março 26, 2010 at 12:17 am


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