Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

O meu e mais que o teu. Não tendo filhos então, I’m doomed.

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Hoje levei o filho de uns amigos ao Festival do Panda e fiquei com a certeza de que, apesar de haver um Clube das Mães, não há solidariedade entre pais/responsáveis pelas crianças nestas coisas. Como não há no mundo em geral, de resto. Não foi novidade, foi apenas a constatação de um facto.
Eu percebo e aceito que toda a gente veja nos seus filhos mais que nos dos outros. Mesmo que não percebesse, aceitava-o. Ok.
Consigo perceber que as pessoas tenham mais cuidado com os seus que com os dos outros.
Mas há atitudes que não só não percebo, como não quero perceber. Não as aceito simplesmente.
Fomos ver os Irmãos Koala que estavam com o avião, dentro de uma cerca. Para tirar fotografias havia uma fila enorme, mas podia-se estar à volta da cerca e viam-se os bonecos na mesma. O “meu”, o J, como outros chegou-se e ficou ali, quietinho, agarrado às tábuas verdes. Eu mantive-me atrás dele, mas a um metro de distância. E porquê? Porque sou inconsciente? Não, porque havia mais crianças que queriam ver os Irmãos Koala. Mesmo que o nosso interesse fosse o mesmo, eu sou mais alta, posso ver cá de trás.
Ao lado do J, uma mulher tinha uma crinça ao colo, outra no chão. O macho alfa estava ao meu lado e dava-lhe toques para que se voltasse e ele pudesse guardar o momento em jpg. Lá se virou, e a sandália da cria ao colo rasou a orelha do J. É possível que a minha mão apareça entre uma coisa e a outra nas fotografias da família. I couldn’t care less.
Momento seguinte. Uma matrona chega de filho, armas e bagagens e planta-se entre mim e o miúdo. Pior, para ali ficar, também tapou a visão a uma criança ao meu lado que, consciente dos seus 5 ou 6 anos se manteve mais atrás que os mais pequenos. Aquela alminha adulta não. Tinha de estar colada aos seus filhos quando toda a gente estava a guardar alguma distância. Lá está, para dar espaço às crianças sem as perder de vista ou mesmo do alcance do braço.
Eu não tirei os olhos do J. E estava a ver o momento em que pegava num daqueles braçoilos e dizia “Oiça, saia-me da frente, seja a pessoa de trinta anos que é, e afaste-se do lugar dos miúdos” ou um simples “fora da minha vista. Agora”. Não foi preciso porque a esperteza saloia a fez dirigir-se ao buraco mais próximo na cerca e ali se plantou a ver os boneco, feita ela ursa de mochila com o farnel e os filhos a tira-colo.
Durante tudo isto, o J esteve imóvel, fixado nos dois koalas gigantes e o seu avião. As crianças vivem num mundo infinitamente mais tranquilo e sábio que os adultos.
Felizmente nestes eventos a percentagem de pessoas que percebem que se se sentar as crianças vêem melhor, é superior à que não raciocina. Há esperança, portanto.

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Written by Marta

Junho 27, 2010 às 10:42 pm

Publicado em Interlúdio musical

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