Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

Isto não é sobre mamas. É, mas não é

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Copas, tamanhos, e este país não conceber mais de 4 letras – é do que se trata este post, não digam depois que vão ao engano. Quem quiser continuar, é por aqui, faz favor.

Vá, vamos lá falar disto finalmente. Não vai ser com os pontos nos i’s, que eu não faço isso, já se sabe. Mas também não costumo dizer mamas, e já disse. Estão reunidas as condições para o real granel, portanto.
Falemos das copas e tamanhos, e de como se cresce neste país, envolta numa chatice de “não temos para si”, como se de uma anormalidade se tratasse. Pior, como isso depois afecta pessoas toda a vida, como eu já vi.
Uma pessoa – uma miúda no caso – cresce, não é? E o peito também, naturalmente. Uns mais outros menos, o que interessa é que não há um, dois, três moldes que nos deixem todas iguais. Ou num de três modelos que estivessem disponíveis, vá. Não há, todos percebemos que isso não existe. Crescemos e ficamos pequenas, grandes, mais magras, menos magras, gordas, mais gordas ainda, e o peito de cada uma não é necessariamente proporcional ao resto do corpo, muito menos igual ao das outras.
Cada uma de nós tem o seu tamanho e copa – que são duas coisas independentes, e isso para muita gente é novidade ou mesmo inconcebível. Mas não, não há uma relação directa entre medidas de tronco e peito. Se virmos cinco, seis mulheres na rua, o mais provável é que não sejam iguais. Até porque isso seria sinistro.
Todos vêmos isto. As marcas não. Giro, não é? É ver uma tabela de qualquer marca das mais conhecidas, onde estão combinadas medidas em volta do tronco e a copa. Segundo estas, uma mulher magra não pode vestir mais que uma copa B, ou C com muito boa vontade. Assim como uma mulher maior, com o peito pequeno, não encontra roupa literalmente à medida. Uma mulher grande com um peito grande, tem de ir a lojas especiais. Enfim, é a pequenez – no pun intended… – que temos. Há mais copas, há. Do A, a pelo menos o G ou H, é-se gente. E daí para a frente… surpresa: também!
Pormenores técnicos à parte, tudo isto de reflecte (ou vice-versa?) na cabeça das pessoas. Não que se fale muito nisto entre nós, ou as mulheres que eu conheço, mas notam-se ainda muitos preconceitos e complexos.
Há o lado de quem não tem este “problema” e comenta e opina. Desde perguntas parvas umas às outras “ela não teve problemas de costas?” à promessa “Ah, mas vai ter, só pode”. Tudo porque o tamanho da copa do alvo, não estava entre os 4 primeiros. É nor-mal, a copa E não é uma aberração, senhoras. Nem as que se lhe seguem. É grande, ok, mas não é uma experiência de laboratório do Entroncamento.
E claro, o outro lado. De quem ouviu isto toda a vida e não o consegue desfazer na própria cabeça, ver que é uma pessoa normal, não é gorda, enorme e mais mil e uma coisas, só porque tem o peito maior que a média. Não é muito cool (mais) esta falta de solidariedade entre senhoras, mas também está tudo a mudar, não nos macemos muito com isso. Faz-me confusão ver pessoas da minha idade cheias de complexos, mas a cabeça é delas e só elas os podem perder. Tudo porque neste país, crescer um bocado mais na adolescência, equivalia a um pesadelo, e houve quem não se passasse além disso. Porque neste país, ir comprar um biquíni há uns anos, era correr o risco de ouvir: “Para esse peito?! Nem pensar!”. Espero que as miúdas agora já não ouçam, ou pelo menos ignorem este tipo de coisas. Como o maravilhoso mundo dos biquinis que chegam de todo o lado, também já não se põe esta dificuldadezinha. E que não mintam ou se convençam de que vestem dois tamanhos abaixo do que deviam. O resultado é tudo – ocorrem-me várias imagens – menos positivo.
E pronto, era só isto. Se precisarem, vão procurar quem vos elucide melhor que eu, e deixem essas marquinhas de trazer por casa com as suas medidas castradoras. Há mueda copas e combinações, senhoras, e todas são válidas e preciosas.
Hum? A minha…? Ora, eu passei à frente de muita coisa, mas não deixo de ter crescido neste país.

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Written by Marta

Dezembro 21, 2010 às 10:24 pm

Publicado em Interlúdio musical

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