Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

Dos especados-a-olhar

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Amanhã há nova greve do metro. Só para contextualizar quem lê, que isto é deprimente de tão suburbano, no meu caso a alternativa é ir de autocarro. Para isso, carrego as viagens num cartão Lisboa ou Colinas, qualquer coisa (ai, não sei, e agora não me apetece ir ver), num quiosque de jornais e revistas, ali no Cais do Sodré. Eu avisei que era deprimente.
No tal quiosque estavam à minha frente: uma rapariga estrangeira a pedir informações sobre o passe que devia ter, a tentar fazer entender-se no seu parco mas eficaz português; uma outra que interrompeu para levar mentos, e empatar ainda mais por ser surda (ou burra) e não perceber o preço, e uma senhora que queria tabaco, (acho, imaginemos que era isso). Estavam as três ao lado umas das outras, em frente à banca dos jornais. Eu atrás delas, com tanto sono como pressa. A segunda portanto interrompeu, despachou-se e saiu-me da frente.
O senhor do quiosque, no meio das explicações e dos olhares reprovadores da terceira, resolveu despachá-la também. Enquanto ele fazia o troco, que é que aquela alminha se lembrou de fazer? Olhar para a outra (a primeira, a estrangeira, a das informações) de alto a baixo. Mas ficou a olhar especada para ela. Palavra de honra que estive para lhe dar uma cotovelada. Foi o tempo suficiente para além de nós duas, ficar o homem também a olhar para ela e ser apanhada em flagrante. Tão flagrante que passou pela vergonha de a rapariga lhe dizer: “Gosta da minha roupa, é?” e não foi meiga ao fazê-lo. Na minha cabeça ouvi um “POW!”
Isto foi brilhante. Porquê? Porque isto já aconteceu a milhares de pessoas e normalmente faz-se que não se vê. A mim não deixa constrangida estarem a olhar para mim. Fico pior que estragada com o descaramento com que as pessoas ficam especadas a olhar umas para as outras, isso sim. A falta de educação, senhores. Já não há pudor, nem discrição: olham bem de frente, de alto a baixo e nem pestanejam. Já me têm saído uns “francamente” , ou “conhecemos esta senhora?” se estou com alguém. Mas a de hoje foi de longe bem melhor em frontalidade, e vou ter de adoptar a irritação dela.

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Written by Marta

Abril 4, 2011 às 10:03 pm

Publicado em Interlúdio musical

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