Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

Este blog devia chamar-se “de manhã, pelo caminho” ou “o meu twitter hoje acordou assim”

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No comboio, senta-se ao meu lado um homem que parece o meu professor de Civilizações Clássicas. Quero ser um capitel, não me apetece conversar. Tudo o que tenho a dizer do curso, é que continuo a gostar de História, mas assumidamente mais para saber segredos e intrigalhada de alcova. Esta manhã, sou a porteira de Atenas.
Eu não fui uma aluna aplicada, Zeus sabe que não. Nesta cadeira, fiquei com um 16 graças a Esparta, aos bebés fortes que sobreviveram para terem o ventre roído por lobinhos, e ao mega-espartano que era Aquiles e eu venerei. Ai, porque sim, nunca deixarei de ter 15 anos. Na altura, as Termópilas ainda não tinham o Butler como Leónidas, e já me faziam vibrar. In your face, Xerxes, filho de Dário. Não é bem in your face, que os persas ganharam, mas fica a ideia. E os gregos morreram livres, que era o big deal da altura. Mais ou menos isto.
Mais do porquê Esparta: sempre sonhei com a máquina do tempo, que começo a achar se chama tgv, e por isso não a vou experimentar tão cedo. Na falta de mesma, tendo a transportar-me para tempos e lugares sobre os quais vou sabendo. Às terças pelas 8 (havia mais horas de Civilizações Clássicas, mas é mais fácil viajar no tempo com muito sono), seguia para a Grécia. Sendo mulher, não era uma emoção… mas sempre foi em Esparta que quis estar: entre zelar por bebés fortes que não sejam atirados de ravinas, ou recolher ao gineceu porque a rapaziada vai pensar e amar-se para a acrópole, não hesito. O 16 veio muito – tenho tanto essa noção, já na altura tive – pelo elogio a Esparta que pus em página e meia. A manipulação da paixão de um professor, podiamos chamar-lhe. Ele também era team Esparta, e deixou-me perceber não só isso, como que a concordância era valorizada. Alinhei, não me custou muito.
Ainda da cadeira, Roma não foi aquela emoção: a quantidade alarve de informação sobre instinuições, cônsules, pretores, senado e quejandos, fez-me perder a ansiedade pelo pão e circo. O meu professor não gostava de Roma, e disse-o em sala. Passei a não gostar dele. Tudo muito pedagógico, portanto.
Entretanto, o homem ao meu lado não era quem pensei. Mas saiu em Belém, o mesmo destino do meu professor naquela altura, e fico a pensar se já os clonam. Posso deixar de ser um capitel.

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Written by Marta

Setembro 21, 2011 às 1:23 pm

Publicado em Interlúdio musical, olé.

2 Respostas

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  1. Marta, até fazes com que alguém que deixou de gostar de História desde que a começou a estudar (5º ano do Ciclo, de outros tempos) não stresse por não perceber metade, mas sentir o riso emergir da mesma forma 🙂

    Helder

    Setembro 21, 2011 at 2:46 pm

    • 😀 parece-me bom! Obrigada, Helder.

      Marta

      Setembro 21, 2011 at 9:00 pm


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