Vou ao futebol porque gosto, porque me apetece. Vou há anos e não tendo estado em muitos estádios, estive em alguns e em lugares diferentes (de repente que me lembre estive em Barcelos, Faro, Setúbal, Restelo, Estoril e Antas). Estive no peão do Barreirense duas horas em bicos dos pés. Quem não esteve num peão não me fale em condições boas ou más. Mas estive, e na altura também não me queixei. E fui à Luz, claro, nunca fui daquelas pessoas que “à Luz nem pensar”, e sem ser derrotas nunca tive razão de queixa. Fui várias vezes ter a Alvalade para todos juntos irmos para a Luz, e tirando um outro empurrão da polícia para me chegar mais para dentro, ou pedras (pedrinhas, vá) a voar de bancada para bancada da última vez que lá tinha ido (um 1-3 para a taça há mais de dez anos), nunca aconteceu nada de especial.
Outra coisa que eu faço muito é andar sozinha. Sim… ontem também fui sozinha. E não há motivos para espantos, acabou por ter de ser assim. Eu escolhi não ir ter a Alvalade que para isso sim, já não tenho idade. Decidi que ía para a mesma bancada mas chegaria antes, sem confusões nem apertos à entrada. E foi o que fiz. O estar sozinha em determinadas situações é mais fácil. Chego-me para o lado, faço-me transparente e safo-me. Sempre fiz isto em situações de maior agitação. Nunca estive em confrontos de nada, e houve alturas em que Sporting e Benfica jogavam ao mesmo tempo em Lisboa e nos cruzávamos uns com os outros. Lembro-me de pés a bater no chão, correrias e pouco mais que isso. Eu aproveitava-me bem do facto de ser menina e passar despercebida se me afastasse calmamente. Tudo isto só para dizer que não fui ontem sem saber com o que contar, nem foi a primeira vez que o fiz. Sei por onde andar, onde me manter e não dar muito nas vistas.
E depois o estar sozinha na bola dá em 5 ou 6 protectores se precisar. Nota-se bem que há quem fique de olho quando vê uma mulher sozinha. E não só por esse motivo que estás a pensar. Até pode ser se estiver a correr tudo bem, mas em golos ou apertos há sempre quem tome aquela postura de “deixa lá tomar conta dela”. Me likey, e ajuda-me a sentir em casa. Ao mesmo tempo ajuda-me a não deixar de fazer uma coisa que gosto só porque não tenho amigos que me acompanhem.
Dito isto, passemos ao lugar de ontem a que não chamaria jaula, mas se o fizer todos sabemos do que falo.
Fui cedo, queria entrar antes da rapaziada que vinha de Alvalade. Procurei a minha porta e quando lá cheguei vi a multidão ainda para lá da grade, estavam para entrar. Saltitei até à porta, revistaram-me (eu colaboro sempre nestas coisas, não me ponho com tretas) e subi. Subi com sete ou oito polícias que nesse momento entraram. Imagino que estivessem nas últimas verificações para o resto entrar.
Na bancada vi a tal jaula – que são “paredes” em acrílico dos lados, e rede à frente (seria o Parma que tinha isto há uns anos? diria que sim) – e perguntei a um senhor onde achava que era melhor sentar-me. Ele, solicito, explicou-me “quanto mais para cima mais longe da rede e menos dá por ela” e assim fiz, até porque queria ficar acima das claques e não metida no meio (há dez, quinze anos já fazia isto). E era verdade, não dei pela rede que tinha à frente. Único senão: quis muito não distinguir Javi Garcia de onde estava já que me parecia um grande jogo de subbuteo. Mas vi-o bem, sei onde joga e o seis ontem devia estar maior. Era isso, era. Mas também vi bem meu ric’Capel, e a coisa compos-e. Até ao golo… adiante, não é disto que se fala. Ah, quando voou a águia → thumbs up à rede, que medo (eu sei, eu sei que ela não iria ali, mas morro de medo de um pardal, uma águia é um pesadelo só de pensar).
Quem estava lá fora foi entrando, entrando, entrando. Ao intervalo ainda havia pessoas a subir a bancada. Eu no meu lugar, sempre tranquila. Não dei pelos lugares divididos, mas cheguei a twittar “mais uma pessoa e não cabemos todos”.
Já conto o fim depois do fim.
De ontem. Disclaimer (ou parte I), sort of
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