Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

Archive for the ‘the movies’ Category

Titanic

leave a comment »

Em época de Titanic (já são dois, ou o mesmo, mas segunda vez, não serão épocas mas apetece-me e dá-me jeito para o post) o que mais oiço é “Ah que o Titanic não vale nada, e agora vais ver isso para quê?” E eu vou.
Nunca foi o Di Caprio, impliquei com ele até tarde. Ou até Scorsese me mostrar que havia ali mais. Na verdade, até tinha visto sem querer o “This Boy’s Life” e gostei bastante. Mas na altura do Titanic, das meninas, das não nomeações e amuos, impliquei com Di Caprio. Não era ele, sou eu. Feito o mea culpa.
Não vi o Titanic em 1997, fiz birra. E a minha birra foi porque desde pequena ouvia falar no Titanic e não em histórias de amor a bordo. O meu pai não me contava muitas histórias mas falou-me sempre do Titanic, do Lusitânia e outros. E eu impliquei com o romancezinho, com o Di Caprio, com tudo em geral. Na tv, mais tarde, achei que talvez tivesse perdido uma coisa em bom no cinema, e hoje recuperarei esse tempo perdido em 3D. Mas na altura o meu estandarte era “a mini-série é que é, bof”.
Estranhamente no meu caso, não foi sequer implicar com a Kate Winslet, juro. Até achava graça àquela escolha menos convencional. Não, eu prendia-me a pormenores do tipo “não acredito, o James Cameron reconstituiu tudo, o serviço, percebem? o serviço, e tudo o que se vê são eles a correr pelo navio e sei lá que mais”. Fui quase uma mãe de Bragança do Titanic, admito. Ter vinte anos desculpa isso? Não sei, mas jogo essa carta na mesma.
E não sei como não quis ver, se já na altura filme catástrofe me fazia o dia, e aquele eu até sabia que não tinha volta a dar no fim (não é pun porque o Titanic não virou, se este post fosse sobre o Poseidon e teria tido muita graça. ou não, pois). Mas não vi, nunca vi o Titanic no cinema e sim, fiquei com alguma pena. E um dia lembrei-me que o Billy Zane desapareceu um bocadinho (ou eu não o vi mais), e dei uma cabeçada na parede por não ter visto o Titanic no cinema (já tinha dito?). Vejo-o em 3D, a boca do Billy Zane em 3D valerá a pena, é garantido.
Entretanto passaram estes anos todos, faz este mês, por estes dias, cem anos que o Titanic foi ao fundo e eu verei o 3D do J. Cameron. Sem birras e mais velha madura, pois. Para não variar, esqueci-me dos óculos, acumulo-os em casa para nada. Mas vou.

Anúncios

Written by Marta

Abril 14, 2012 at 3:49 pm

eu acho que é esta, mas pode ser uma muito semelhante. Arrisco.

leave a comment »

Um dia destes disseram-me “Não gostei nada desse filme” sobre o Gran Torino, e eu respeito. Claro que todos sabemos que este “eu respeito” é um “ya ya sabes lá o que é bom” mas eu tento, senhores, juro que tento ser civilizadinha em conversas e respeitar quase toda e qualquer opinião. Até porque não gosto muito de fanatismos (terei um ao outro, talvez) e evito entrar em team sim/team não no que toca a filmes. Gosto mais, menos, raramente não gosto de todo, e é mais ou menos isto que se pode esperar de mim numa conversa sobre cinema. Depois tenho os meus preferidos au monde, mas a opinião alheia já não me interessa muito nesses casos dogmáticos (lá está o fanatismo que eu acho que não tenho).
Então do Gran Torino e sem querer estragar para quem não viu. Fala-se muito da cena final. Para mim A cena é esta. Porque nesta altura já não é só o saber que a vizinhança é mais próxima que a família. Nós, nós que estamos a ver, já somos, e quando entram filho e nora de telefone-loja-do-avô em punho e condescendência na ponta da língua, encolhi-me na cadeira e pensei “ai… ele não é assim!”. Gran Torino é isso. Ou sou eu que tenho 3 anos e me amarro em um bom suspension of disbelief.

Neste frame é possível ouvir a ligeira rosnadela. ❤ Clint e seu rosnar

Written by Marta

Janeiro 25, 2012 at 1:59 pm

Um homem com sentido de humor is the new paz no mundo

leave a comment »

Qual é o meu drama com os filmes do Woody Allen? Os que são fora de Nova Iorque não prestam? Os postais ilustrados da Europa? Os diálogos que antes eram tanto e agora tão pouco? O devaneio de Cassandra? None of the above, Woody Allen pode fazer o que lhe apetecer, tem idade que lhe dá esse estatuto. Quem gosta, gosta. O meu problema com filmes dele, são as pessoas que o vão ver como quem assiste a uma palestra de física quântica. É certinho que casais na sala, se dividem entre “homem explicador” e “mulher explicanda”. Explicar o quê, pergunto. David Lynch eu agradeço que me expliquem de vez em quando, Malick dispenso perceber, Woody Allen basta ver.
O casal ao meu lado ontem, foi uma variante: ele explicava, é certo, mas a pedido dela. Estava mais interessado em mostrar que conhece bem Paris, a cada imagem referia o lugar. Nas mais banais, como a torre Eiffel ou a Notre Dame, não abria a boca, isso é para o comum mortal. A cada actor que reconheciam, ambos pasmavam, exclamavam, debatiam. Marion Cottillard teve direito a uns 2 minutos de investigação em voz alta. Espectacular.
Midnight in Paris é giro, mas como perde se se revelar, falo antes do Stupid Crazy Love, que eu queria ver, mas só estreia para a semana. Se não vi, que tenho a dizer, não é? Tem o Ryan Gosling, é isso, pronto.
Hum? Claro, e o Steve Carrell, pois. Sim, sentido de humor acima de tudo, claro. Um homem com sentido de humor é tudo. É, é.

Eu gosto muito de abraçar sentido de humor.

E aninhar em sentido de humor.

É, é.

Written by Marta

Setembro 18, 2011 at 4:53 pm

Johnny Castle e outros. R.I.P. Patrick Swayze

with 4 comments

Eu não fui fã de Patrick Swayze. Isto é, não tive posters dele no quarto, cadernos forrados, lágrimas ao ver o “Profissão: duro”. Não fui fã de facto, o que não quer dizer que não tenha dado por ele estes anos todos.
Orry Maine de casaca e família sulista, melhor amigo de George Hamilton. Às segundas-feiras esperava Norte e Sul sem perder pitada e sem Orry aquela série não seria a mesma, claro.
Filme de que nunca gostei – embirrações de adolescente, que se há-de fazer, amava Bruce Willis e Demi Moore, não podendo ser alvo a abater, era pessoa a não ver – foi o “Ghost”. Mas reconheço-lhe a importância. Quanto mais não seja por ser a referência para muita gente, agora que Patrick Swayze morreu. Quem não tem como referência “Dirty Dancing”, tem “Ghost” e “Enchanted Melody”.
E vi o “Point Break” (Ruptura Explosiva) onde o comentário que me saía era invariavelmente “Se ele fosse assim loiro e mal disposto é que era giro”. Vi-o uma vez e foi tudo.
De todos os papéis de Patrick Swayze o que me diz mais é o de Darrel Curtis em “The Outsiders” (Os Marginais) de Coppola. Li o livro de S. E. Hinton com uns 13 anos e na capa estavam os ídolos de Hollywood da altura que representavam cada greaser no filme: Emilio Estevez, C. Thomas Howell, Ralph Macchio, Tom Cruise, Rob Lowe, Matt Dillon e Patrick Swayze.
Não sendo o meu personagem favorito do livro ou do filme, este foi definitivamente o papel dele que me marcou: o irmão mais velho, sisudo, obrigado a trabalhar e a cuidar dos irmãos porque os pais tinham morrido num acidente. O conflito com os irmãos que não podiam perceber o irmão ser tão mais velho que eles de repente. O drama perfeito para uma adolescente que dispensava mulheres nos papeis principais. E sempre o vi assim. Por nada, porque acredito em papeis de que gosto. É por isso que ainda hoje não acredito que exista um Ethan Hawke mas um Todd Anderson que degenerou.
Claro que é incontornável o Johnny Castle e seus passos de dança. Quem não gostava de ver a cena no lago ou imitar “Sylvia…” “yes Mickey…?” Também eu vi o Dirty Dancing milhões de vezes, gravei e regravei a banda sonora até a saber de cor: não só as músicas, como sequências, diálogos, situar cada música na respectiva cena e vice-versa. Ainda hoje se me sai algum disparate à frente de alguém cool me apetece dizer “I carried a watermelon?!”
E Patrick Swayze fez muito mais coisas, estas são apenas as mais comerciais. É andar pela web e ver-lhe a obra. Pode não ter sido o maior dos actores mas foi sempre regular e igual a si próprio. Parecem-me qualidades raras na profissão.
Eu não fui fã da beleza de Patrick Swayze, mas mais importante que um homem que marca por ser bonito, é um homem que marca toda uma geração – mesmo que a muitas adolescentes da altura hoje o filme não diga nada – como Johnny Castle sem querer fez.

PS – sei que um post é genuíno quando não tive de recorrer ao IMDB para os nomes.

Written by Marta

Setembro 16, 2009 at 1:25 pm