Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

eu acho que é esta, mas pode ser uma muito semelhante. Arrisco.

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Um dia destes disseram-me “Não gostei nada desse filme” sobre o Gran Torino, e eu respeito. Claro que todos sabemos que este “eu respeito” é um “ya ya sabes lá o que é bom” mas eu tento, senhores, juro que tento ser civilizadinha em conversas e respeitar quase toda e qualquer opinião. Até porque não gosto muito de fanatismos (terei um ao outro, talvez) e evito entrar em team sim/team não no que toca a filmes. Gosto mais, menos, raramente não gosto de todo, e é mais ou menos isto que se pode esperar de mim numa conversa sobre cinema. Depois tenho os meus preferidos au monde, mas a opinião alheia já não me interessa muito nesses casos dogmáticos (lá está o fanatismo que eu acho que não tenho).
Então do Gran Torino e sem querer estragar para quem não viu. Fala-se muito da cena final. Para mim A cena é esta. Porque nesta altura já não é só o saber que a vizinhança é mais próxima que a família. Nós, nós que estamos a ver, já somos, e quando entram filho e nora de telefone-loja-do-avô em punho e condescendência na ponta da língua, encolhi-me na cadeira e pensei “ai… ele não é assim!”. Gran Torino é isso. Ou sou eu que tenho 3 anos e me amarro em um bom suspension of disbelief.

Neste frame é possível ouvir a ligeira rosnadela. ❤ Clint e seu rosnar

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Written by Marta

Janeiro 25, 2012 at 1:59 pm

Dos manos e a wii

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O D tem sete anos, o J cinco e são irmãos. Conheço ambos desde que nasceram, são os meus “sobrinhos” mais próximos, tão próximos (filhos e pais) que sou da casa, a “nossa Marta”. E eu sinto-me da casa. E gosto.
As visitas já foram mais regulares, pelos mais diversos motivos a disponibilidade de uns e outros (a vida social de crianças destas idades faria inveja a muito adulto, lembro-me bem da idade das festas de anos todos os fins-de-semana), não tem sido a mesma de quando eram mais pequenos e de vez em quando tiro mesmo umas horas só para eles. Foi o que fiz ontem.
Mandei mensagem à mãe “achas que posso ir brincar com eles? Se der jeito diz qualquer coisa. Bjs” e ficou combinado que apareceria pelas 17h. Ainda saímos as duas, e depois só deu wii e super mario.
Do que eu mais gosto neste jogo é podermos jogar todos ao mesmo tempo. Mais hipóteses de ganhar claro, mas acima de tudo pelos empurrões e atropelos que só me fazem rir. O J nunca acha muita graça, aborrece-o cair, ir contra tartarugas, perder no geral. E joga bem para os 5 anos que tem! Explico uma vez como temos de fazer, correr, saltar antes que uma moeda se transforme em parede por exemplo, e eles não só percebem como fazem logo. Como o fato de pinguim, que serve para deslizar e passar todo e mais algum obstáculo no gelo e eles vão experimentando devagarinho mas com sucesso. Jogam bastante melhor que eu, mas acham que não porque foi juntos que chegámos ao fim dos dois primeiros mundos (e para eles os castelos e “o mau” são o maior pesadelo). A inocência.
Ontem houve então wiizada e super mario com os dois irmãos. “O T ja chegou ao mundo do gelo na casa dele!” reclamam “e isto não pode ser” ouvi na minha cabeça. Nem é porque eles não possam ficar para trás, mas admito que nos desleixámos na missão mario, cogumelos e tartarugas da morte. Os jogos olímpicos Mario e Sonic têm tido toda nossa atenção quando lá vou. Esse jogo o J, o de 5 anos, domina e por isso é o seu preferido. E eu adoro vê-los na prova de fita, com o danúbio azul a tocar, muito concentrados nas piruetas, ahahah e maravilhoso! É por isso que não passamos os mundos do outro jogo.
Ontem não havia volta a dar, tinhamos de tentar passar o primeiro castelo do “mundo da areia” e lá fomos. A coisa deu-se. Fizemos os dois níveis que faltavam até esse castelo. Este nível é daqueles em altura, subir grade a grade até à porta encarnada tentando manter vidas, bonecos e energia até ao inimigo do fim. Tudo isto comigo perdida de riso com os nervos deles, não é decididamente fácil. Chegámos lá umas duas ou três vezes sem o vencer e quarta o D deu cabo dele. O J já tinha perdido e estava só a ver-nos jogar. Foi a loucura. Saltaram, atiraram-se para o colo um do outro, para cima de mim, chocaram no ar. Sei que os recordo em camara lenta a festejar e o J a terminar com qualquer coisa como “Viva o D que é o melhor D de sempre”. A neura que era aquele nível para eles, agora só me dá vontade de rir quando me lembro desta cena.
Depois de jantar chegámos mesmo ao fim do mundo da areia depois do segundo castelo passado. Este custou mais. Não a chegar ao fim, que o nível era mais simples que o outro, mas a aniquilar o inimigo. E de cada vez que lá chegávamos eu tinha um ataque de riso, o que levou o D a parar o jogo antes de entrarmos na porta final uma das vezes e dizer “vá, vamos agora. Mas Marta… não te podes rir” e assim que ele diz isto eu, que às vezes tenho 3 anos, desato a rir. Ele do alto dos seus sete faz um sorriso de “ai, ai, que marota…” confirmando a minha idade mental. Importo-me zero, ainda rio mais.
Lá terminámos (e fomos os três, cada um deu a pancada necessária para acabar), mais celebrações, e igualámos o T. Em mundos, pelo menos, ao que parece já vai avançado no terceiro e eles ainda ficaram com o primeiro nível por explocar. Pouco importa. Valeu por vê-los felizes, os saltos e aos abraços das duas vezes que terminámos castelos. Fica aqui que daqui a uns tempo me vai fazer rir outra vez.

Written by Marta

Janeiro 17, 2012 at 11:43 pm

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Post de anivers@rio

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O João faz hoje anos e eu sei que gosta que eu escreva aqui no blog. Não direi “e um gajo sabe dar valor a isso” porque o João, outro que não este mas também no e do twitter só que não faz anos hoje (valha-me Deus, momento que vou confirmar… Não, não e hoje segundo o facebook), não acha que “um gajo” seja de uma menina e eu, que já não sendo muito menina sou imenso, não o direi. Uma pessoa/menina/twitter dá valor a quem nos aprecia a escrita por mais disparatada que seja, não é? Eu cá defendo que sim que até me convém, mesmo com a preguiça a assaltar-me a toda a hora e a boicotar-me os posts (nunca sou eu, há sempre para onde atirar as culpas) nunca menos que magníficos na minha cabeça. Depois sai isto, é o chamado a montanha pariu um rato @Pinilla pariu ‘ma coisita assim no metro a caminho do trabalho.
Então o João (o @arcebispo, esse João, pois) faz hoje anos e lembrar-me-ei sempre do boato que lancei (ou alimentei, acho que foi mais isso) ainda eramos twitters pequeninos (no sentido de recentes, grande só o João) de que o João fazia anos e se gerava toda uma avalanche de parabéns e felicidades, seguidos de desmentidos do João, sempre paciente e bem disposto. A vingança não tardou e por umas vezes houve que acreditasse nos “Parabéns! Para quando esta previsto?” E um pequeno Pinilla vinha a caminho. Pinilla não, senhores, Spinola e de pai a designar, não quero ter o Chile outra vez a bater-me a porta. À porta virtual, pois.
Pronto, está feito. Não parece assim grande coisa, não é? Mas eu safo-me sempre é nos embrulhos. Faço aqui um laçarote e vou ao twitter (e facebook, não sei onde ele andará a esta hora, num deles apanho-o) deixar-lhe o presente que rabisquei.

Parabéns, João 🙂

Written by Marta

Janeiro 12, 2012 at 10:09 am

Mestre Leonardo

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Descobri há uns anos o livro “Notas de Cozinha de Leonardo da Vinci” que contém esboços de batedeiras, máquinas de lavar, receitas e algumas notas de etiqueta.
São estas últimas que vou partilhar. Sublinhei as que para mim se destacam (a bold a minha favorita), e desafio-vos a identificar as que ainda hoje podemos encontrar nos comensais nossos contemporâneos. 600 anos não mudaram tantos hábitos como se poderia pensar.

ACERCA DO COMPORTAMENTO IMPRÓPRIO À MESA DO MEU AMO

Há hábitos impróprios que um convidado à mesa do meu Amo não deve contrair, sendo o catálogo que se segue baseado nas observações que fiz daqueles que tomaram assento junto do meu Amo durante o ano que passou:

– Convidado algum se deve sentar em cima da mesa, nem de costas voltadas para ela, nem ao colo de outro comensal.

– Nem deve pôr as pernas em cima da mesa.

– Nem se deve sentar debaixo da mesa por qualquer tempo que seja.

– Não se deve pôr a cabeça em cima do prato para comer.

– Não se deve tirar comida do prato do vizinho, sem primeiro lhe pedir autorização.

– Não se deve colocar no prato do vizinho partes desagradáveis ou semi-mastigadas da sua própria comida, sem primeiro lhe pedir autorização.

Não deve limpar a sua faca às vestes do vizinho.

– Nem usar a sua faca à mesa para trinchar.

Não deve limpar à mesa as suas armas.

– Não deve retirar comida da mesa, colocando-a na bolsa ou na bota para consumo ulterior.

– Não deve dar dentadas nos frutos que se encontram na fruteira, voltando depois a colocá-los na mesma.

– Não deve cuspir na frente do meu Amo.

– Nem ao seu lado.

– Não deve dar beliscadelas ou palmadas ao vizinho.

– Não deve emitir ruídos resfolegantes ou dar cotoveladas.

– Não deve revirar os olhos ou fazer caretas assustadoras.

– Não deve meter o dedo no nariz ou no ouvido durante a conversação.

– Não deve fazer maquetas, nem acender fogos, nem treinar-se na arte da pantomina em cima da mesa (a menos que o meu Amo o solicite).

Não deve soltar os seus pássaros em cima da mesa.

Nem o mesmo fazer com cobras ou escaravelhos.

-Não deve tanger alaúde ou qualquer outro instrumento que possa importunar o vizinho (a menos que o meu Amo o solicite).

– Não deve cantar, nem fazer discursos, nem proferir impropérios, e ainda menos lançar adivinhas lascivas quando a seu lado se encontrar uma dama.

– Não deve conspirar à mesa (a menos que seja com o meu Amo).

– Não deve fazer propostas obscenas aos pajens do meu Amo, nem retoiçar com os corpos deles.

Nem deve pegar fogo ao vizinho enquanto se encontra à mesa.

– Não deve agredir um serviçal (a menos que seja em defesa própria).

– E se sentir vontade de vomitar, que abandone a mesa.

– Tal como se tiver de urinar

Written by Marta

Dezembro 14, 2011 at 11:26 pm

Publicado em Interlúdio musical

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De ontem. o fim

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O jogo acabou, festa do Benfica, jogadores a agradecer, meu ric’Capel, meu ric’Wolfswinkel sempre o último e a fazer questão de o ser. Fraquezas minhas que me pelo por estas coisas, e a equipa de há dois anos era bem mais antipática nestes cumprimentos. Avancemos, que não é disso que se fala aqui hoje.
Fiquei no lugar, já sabia que teria de esperar para sair. Não me preocupei, estava sentada e tinha o twitter para me entreter. Não estranhei estoiros, nem as primeiras cadeiras a partir ou a arder. Não, não aprovo nem quero dizer “faz parte”, mas faz e eu não estranho. Tanto que embora não aprove, ri-me quando ouvi “e salta bombeiro, e salta bombeiro”, há coisas que comigo funcionarão sempre. No caso é o “bombeiro”, o não haver um nome, é quase uma coisa noddyesca, cartoonesca e infantil “o bombeiro”. Não sei explicar melhor, mas fez-me rir. Nesta altura – do bombeiro e o extintor – já eu estava também de carapuço enfiado e cachecol a tapar a cara, com um ar perigosíssimo, aposto.
Tudo tranquilo até aqui. Sentou-se ao meu lado uma rapariga mais nova que eu, lívida, “ai meu Deus” e tapava a cabeça. Estive para a tranquilizar, mas o namorado apareceu e não me meti. Devia, porque o querido só a soube mandar calar, estava enervadissimo com a figura dela, claramente. Os homens de amanhã, enfim.
Continuava a haver uma cadeira a arder aqui, outra ali. A polícia ou não via quem as ateava ou não tinha ordens para intervir, não sei. Sei que nada fez, mas também não sei o que poderia fazer sem os ânimos se exaltarem. Os bombeiros, pacientes, subiam de extintor, apagavam e voltavam a descer. E eu continuava entre o twitter e o facebook, tranquila.
Minutos depois, novo fogo. Dei por ele antes de o ver porque as pessoas se afastaram para os lados. O espaço não era muito para todos que lá estávamos e foi aqui que começou a minha preocupação. Eu estava à direita dessas cadeiras (de quem está nessa bancada), o espaço entre isso e a parede acrílica não era muito e as pessoas chegaram-se para esse lado, ou seja, ficámos o dobro no espaço de metade.
O “ver a Luz a arder” para mim nunca foi literal, mas tinha miúdos em volta a cantar isso. Peguei num que estava logo ali e disse-lhe “não queremos, não. a esta altura já não queremos, calem-se com isso”. Havia outros que viam o fumo como eu via, o tecto e sei lá mais o que me passou pela cabeça, e começou a falar-se finalmente em descer (nós, a polícia ainda não tinha decidido, pareceu-me). Labaredas enormes, foi o que eu vi e não achei graça nenhuma. Não me interessa sequer saber como ou quem foi, só quis sair dali.
Fomos descendo pelas cadeiras. Deixei-me ficar para trás, por causa das confusões. Tenho horror a multidões em pânico, prefiro ser a última a cair no chão e ser pisada. Fiquei para trás então e fui descendo pelas cadeiras (porque as escadas ainda tinham muita gente) com um grupo de rapazes. Quando vi as escadas mais livres, desisti das cadeiras e mesmo com um polícia a gritar para as escadas que descessemos, saí desse caminho e fui para as escadas. Senti-me fazer um ar amuado, um ar de quem “só quis vir à bola”. A polícia e um rapaz foram-me dizendo “desça, desça com calma. venha por aqui. deixa passar” e cheguei ao corredor de acesso à bancada.
O corredor estava cheio, claro. Andava-se lentamente, mas andava-se. Ouvi miúdas eufóricas com o fogo. Metidas num corredor cheio de gente, num estádio a arder, com polícia por todo o lado, e estavam contentes. Eu sei que há idades para tudo, mas eu felizmente com aquela idade já tinha um cérebro. Passámos por um caixote do lixo a arder e eu em stress. Cada pessoa que passava pelo caixote só queria avançar naturalmente, e começaram os empurrões. Mais uma vez fui acolhida por um rapaz que protegia a namorada e me chamou para junto deles. Estávamos nisto quando o grupo pára e recua. Medo. “é a polícia?” perguntei (sim, não via nada, não tenho propriamente 1,70 que já me ajudaria a ver, e não levei saltos) ao que me respondeu que sim, e nesse momento o grupo abriu em círculo para fugir à polícia. Ficámos assim uns minutos, em círculo e parados. Eu e a outra rapariga mantivemo-nos no lugar e ficámos à frente do nosso lado do bloco. Ele dizia “mantenham-se aqui, fiquem aqui” e eu também achei que só tinhamos a ganhar em ficar ali à frente. Sei lá coisas que se pensam na altura. A polícia tirou um dos miúdos do grupo, nem percebi porquê, e um minutos depois, não mais, estávamos a descer as escadas.
Já cá fora, tive de estar um bocado ainda dentro do recinto em que tinham estado todos à chegada e depois de escoltados para fora das imediações tresmalhei e vim-me embora.

Nunca tive medo de ir ao futebol e ontem assustei-me. Morro de medo de multidões em pânico. Mas isto não são Sportings nem Benficas. São pessoas que não pensam vs pessoas que gostavam de ir ver o seu clube, na bancada dos seus semelhantes, sem correr perigo. São pessoas inconsequentes que me farão dar razão a quem uma próxima vez me disser “Mas vais? Não é perigoso?” e eu tiver de responder “pois, tens razão” em vez de “não, já fui e correu sempre bem. E isso não tem graça nenhuma. Sempre houve inconsequentes, bem sei, mas antes havia quem pusesse mão nisto, havia os que a certa altura diriam “Já chega” agora os inconsequentes parecem-me em maior número. Ou não, não vi nada, não vi quem fez o quê ou como, nem me interessa.

Isto fica aqui para me lembrar uma próxima vez que os miúdos estão loucos e eu já não tenho idade para isto. Quando quiser ver o meu clube fora, penso melhor no lugar que escolho. Há quinze anos rosnava a quem me dissesse que eu faria tal coisa. Parece que cresci mais um bocadinho.

Written by Marta

Novembro 28, 2011 at 12:03 am

De ontem. Disclaimer (ou parte I), sort of

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Vou ao futebol porque gosto, porque me apetece. Vou há anos e não tendo estado em muitos estádios, estive em alguns e em lugares diferentes (de repente que me lembre estive em Barcelos, Faro, Setúbal, Restelo, Estoril e Antas). Estive no peão do Barreirense duas horas em bicos dos pés. Quem não esteve num peão não me fale em condições boas ou más. Mas estive, e na altura também não me queixei. E fui à Luz, claro, nunca fui daquelas pessoas que “à Luz nem pensar”, e sem ser derrotas nunca tive razão de queixa. Fui várias vezes ter a Alvalade para todos juntos irmos para a Luz, e tirando um outro empurrão da polícia para me chegar mais para dentro, ou pedras (pedrinhas, vá) a voar de bancada para bancada da última vez que lá tinha ido (um 1-3 para a taça há mais de dez anos), nunca aconteceu nada de especial.
Outra coisa que eu faço muito é andar sozinha. Sim… ontem também fui sozinha. E não há motivos para espantos, acabou por ter de ser assim. Eu escolhi não ir ter a Alvalade que para isso sim, já não tenho idade. Decidi que ía para a mesma bancada mas chegaria antes, sem confusões nem apertos à entrada. E foi o que fiz. O estar sozinha em determinadas situações é mais fácil. Chego-me para o lado, faço-me transparente e safo-me. Sempre fiz isto em situações de maior agitação. Nunca estive em confrontos de nada, e houve alturas em que Sporting e Benfica jogavam ao mesmo tempo em Lisboa e nos cruzávamos uns com os outros. Lembro-me de pés a bater no chão, correrias e pouco mais que isso. Eu aproveitava-me bem do facto de ser menina e passar despercebida se me afastasse calmamente. Tudo isto só para dizer que não fui ontem sem saber com o que contar, nem foi a primeira vez que o fiz. Sei por onde andar, onde me manter e não dar muito nas vistas.
E depois o estar sozinha na bola dá em 5 ou 6 protectores se precisar. Nota-se bem que há quem fique de olho quando vê uma mulher sozinha. E não só por esse motivo que estás a pensar. Até pode ser se estiver a correr tudo bem, mas em golos ou apertos há sempre quem tome aquela postura de “deixa lá tomar conta dela”. Me likey, e ajuda-me a sentir em casa. Ao mesmo tempo ajuda-me a não deixar de fazer uma coisa que gosto só porque não tenho amigos que me acompanhem.
Dito isto, passemos ao lugar de ontem a que não chamaria jaula, mas se o fizer todos sabemos do que falo.
Fui cedo, queria entrar antes da rapaziada que vinha de Alvalade. Procurei a minha porta e quando lá cheguei vi a multidão ainda para lá da grade, estavam para entrar. Saltitei até à porta, revistaram-me (eu colaboro sempre nestas coisas, não me ponho com tretas) e subi. Subi com sete ou oito polícias que nesse momento entraram. Imagino que estivessem nas últimas verificações para o resto entrar.
Na bancada vi a tal jaula – que são “paredes” em acrílico dos lados, e rede à frente (seria o Parma que tinha isto há uns anos? diria que sim) – e perguntei a um senhor onde achava que era melhor sentar-me. Ele, solicito, explicou-me “quanto mais para cima mais longe da rede e menos dá por ela” e assim fiz, até porque queria ficar acima das claques e não metida no meio (há dez, quinze anos já fazia isto). E era verdade, não dei pela rede que tinha à frente. Único senão: quis muito não distinguir Javi Garcia de onde estava já que me parecia um grande jogo de subbuteo. Mas vi-o bem, sei onde joga e o seis ontem devia estar maior. Era isso, era. Mas também vi bem meu ric’Capel, e a coisa compos-e. Até ao golo… adiante, não é disto que se fala. Ah, quando voou a águia → thumbs up à rede, que medo (eu sei, eu sei que ela não iria ali, mas morro de medo de um pardal, uma águia é um pesadelo só de pensar).
Quem estava lá fora foi entrando, entrando, entrando. Ao intervalo ainda havia pessoas a subir a bancada. Eu no meu lugar, sempre tranquila. Não dei pelos lugares divididos, mas cheguei a twittar “mais uma pessoa e não cabemos todos”.
Já conto o fim depois do fim.

Written by Marta

Novembro 27, 2011 at 11:22 pm

Mala feita, London calling

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Vou prá Londra, já sabemos. Vou a e não para, vá, que sâo só cinco dias. A mala está pronta. Não está fechada, já se sabe que até ao fim, há sempre o que entra e o que sai.
Dos preparativos, dois: calças para arranjar e buscar libras. O resto vem de preguiça minha, como o carregador da máquina fotográfica e o adaptador de corrente, que podiam estar perto da mala há uma semana, ou mais, e não estavam. Um continua a não estar, aguardando que o encontre. Mas eu estou aqui sentada a escrever sobre ele, em vez de o ir procurar. Típico.
Dos tais preparativos: pus umas calças de ganga a arranjar. Estão velhas, gastas, mas são as de que mais gosto. Arranjem-se, pois. Levei-as quarta-feira: que não mas podiam dar em menos de uma semana. Choque! “Ai, oiça: esses jeans vão comigo à Londra, e na quarta a esta hora, já eu conto andar a saltitar por lá, com eles vestidos” Isto era o que eu devia ter dito, mas eu nem digo “os jeans”, saiu-me antes: “é que que vou viajar na quarta de manhã… acha que não pode ser terça?” Lá conferenciaram, e bondosas, concederam-me “terça à noite”. Achei que dizer que eu só trabalho na zona, não vivo, e portanto noite é-me complicado, a menos que já estejam em horário de inverno-mesmo-inverno e queiram com noite dizer seis da tarde, era talvez desnecessário, e deixei para outro dia essa informação.
O outro preparativo: as libras. Fui ao banco. O do Raul, pois. O Raul e eu falamos sempre dos meus euros (cêntimos às vezes, senhores). E é a terceira vez que me dá libras. Um dia pergunto-lhe se, como eu, tem a sensação de brincarmos aos pais milionários, e eu recebo a mesada em libras.
Quarta é dia de ir para Londres e a mala está praticamente feita. O carregador da máquina apareceu, porque estava entre outros carregadores que eu achei boa ideia juntar e arrumar. Por isso não dava com ele, às vezes a arrumação desorienta-me.
O adaptador de corrente continua para ali. Ali é atrás de mim, onde fica o quarto. Sei que lá está, só não sei em que armário, gaveta ou saco. Está lá, já o caço.

Written by Marta

Setembro 26, 2011 at 10:42 pm

Publicado em Interlúdio musical