Cose di croniche

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Definir-me? Bof…Não tenho tal

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“Tens de te definir, pá!” veio na sequência de uma não rara confusão sobre as minhas convicções politicas. E a confusão surge precisamente porque eu não as tenho claras, preto no branco. Eu defini o meu clube. Esse sei qual é, e não o troco. Aturo derrotas, situações caricatas, quase humilhantes, vibro em cada golo, choro cada ric’menine que ali cresceu e triunfa noutro lugar. Já tenho uma dedicação, dispenso outra. Muito menos politica.
O Sporting pode não me dar nada, mas entretém-me, e se tenho chatices, também as escolhi. Não gosto do meu clube só quando ganha (espaço para piadas do tipo “que não é muitas vezes” e assim). A questão é que jamais me sujeitaria a isto com um partido. E talvez o meu mal seja mesmo ver partidos como clubes. Assim à primeira vista, há uma diferença: pelo menos os clubes não se confundem quando são campeões, não deixam de ter a sua identidade, o Porto é sempre o Porto, o Benfica sempre o Benfica, e sim (novo espaço para graçola sobre o meu clube ser campeão), o Sporting é sempre o Sporting – e eu bem sei como é quando o Sporting é campeão. Desde que nasci não o foi muitas vezes e só devo ter comemorado como deve ser, duas. Mas foram muito bem celebradas. Enfim, não nos desviemos. Já na política… O governo parece sempre muito semelhante, ou é de mim? E também não seria para mim, escolher um partido e/ou passar a vida a criticar a minha própria escolha, ou defender com unhas e dentes pessoas que desconhecem a minha existência. E não, nem com o meu clube faço isso, só que aí não vejo pessoas, mas a instituição. Enterro a juba até aos olhos e espero que passe a neura, e não vejo jogos do Sporting sem ser inter pares. Não me vejo fazer o mesmo com partido nenhum.
Acresce ainda, e porque também sou alérgica ao discurso “eu não quero saber de politica”, que há pessoas, figuras a quem reconheço mérito, eloquência, o que for, que me cativa. E não são necessariamente da mesma cor política. Posso gostar de ouvir alguém de um lado ao outro, quem sabe uma, duas (três!) pessoas em cada partido, para que me vou posicionar de um só lado? Fico a ver, e em altura de votar não me sinto constrangida com qualquer que seja a minha escolha.
“Tens de te definir.” Não tenho tal. Não quero, não me apetece. E se isso faz de mim pessoa menos interessante à mesa do café, paciência.
Eu joguei Caesar uns anos – ainda jogaria, já não tenho é o jogo – e sempre tive a sensação de que a estrutura da sociedade do jogo, e que e a base da nossa, (da ocidental, vá).
Por altura dos-estádios-do-Euro, disse à mesma pessoa que me exigia uma posição “no caesar não posso ter um coliseu ou um hipódromo se não tiver a população alimentada, educada e a trabalhar. Tenho de ter assistência médica e segurança para todos. Sem pão não há circo. Sem hospitais, não devia haver estádios novos”. E se eu sonhava com banheiras de Roterdão por este Portugal fora. sou mais que suspeita e conseguia ver que não era o mais sensato. Nada mudou. Sim, temos estádios, e esta conversa foi esmorecendo. Mas eu continuo a achar que jogar Caesar devia fazer parte do plano nacional de educação. Simples, básico e muito esclarecedor. Teriamos um parlamento cheio – ou com maioria – de cabeças arejadas dentro de uns anos, estou certa.

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Written by Marta

Outubro 14, 2010 at 10:18 pm