Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

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Que elefantes são aqueles que chapinham na água?

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Desde pequena me ensinaram – e me fui habituando, embora nem sempre com sucesso, admito – a colocar-me no lugar dos outros. “Imagina que eras tu” ou “Põe-te no lugar dele” são coisas que vamos ouvindo. Uns de nós sucumbem e de entre esses há os que agonizam na armadilha, e os que conseguem o objectivo: perceber e reformular (mesmo que para pior). Incluo-me normalmente nos primeiros. Há ainda o grupo que não quer saber. Faz ele bem, digo eu pondo-me no seu lugar. Eu habituei-me a isto, mas como em quase tudo, fui longe demais. Já não me ponho só no lugar dos outros e me divido. Vejo-me em situações onde dificilmente estaria e dai têm vindo toda uma enormidade de traumas que me ocupam a mente e o tempo que não tenho. Isto tem graça em filmes, dirão. E tem. Suspension of disbelief é divertido quando o propósito é esse. Assumimos esse compromisso e vêmos um filme como se lá estivéssemos. Muito melhor assim. Também o faço, mas ainda não é aqui que pretendo chegar. Em tempos houve um anúncio em que um elefante nadava. Nadava no mar. Um elefante, pois. Ouvia “que giro… como fizeram isto?” e via de facto, a beleza do paquiderme no meio do azul. Engraçada a ideia… mas aterradora. Imaginava-me a nadar e dar com um elefante ao lado. A ideia apavorava-me. E quem me disse que a intenção era pôr-me naquele lugar? Que a mensagem do anúncio era “banhe-se e corra o risco de encontrar um destes” em lugar de “refresque-se” já que era de uma bebida que se falava? Ninguém. Eu percebia a parte do refresque-se. Mas tive de ir mais longe. Tive de me ver ali, a flutuar no mar paradisíaco e dar de caras (ou trombas) com um elefante. Medo. Conta ainda que em terra a ideia de um elefante não me é tão assustadora quanto no mar. Embora dispense estar lado a lado com um, em piso seco também. Com o tempo fui-me rindo dessa lembrança. Há uns meses, a ver a Oprah – sim, eu vejo a Oprah e sou mesmo arrojada ao ponto de ver a Martha Stewart, gostar e assumi-lo – conheci melhor a série Planet Earth da BBC. Imagens estupendas, um apanhado do melhor que se faz em vida selvagem (os animais estiveram muito bem). E que escolheu ela para apresentar o documentário? O banho dos elefantes. Mais uma vez os vi, meio escondida atrás de nada, mas a três quartos voltada para a televisão. A ver que sim “Ah… giro…”, a achar que sim, é tão engraçado. Mas a pensar: “ai que medo…!” como se algum dia tivesse de me ver em tal situação. Como se desse por mim à beira de um charco onde os elefantes se vão banhar, não haver alternativa para banhos ou, quem sabe um dia a lama depois de o elefante sair não é decretada como o segredo para a eterna juventude, e não pudesse esperar a minha vez. Sim, deixar que a manada saia para poder estar à vontade. Sem trombas nem toneladas em volta. Não sei por que faço isto, não sei se toda a gente o fará. Transporto-me para as situações mais bizarras. É por isso que nunca vi um Saw. Não preciso. Os banhos com elefantes são aterradores quanto baste.

Publicado originalmente aqui.

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Written by Marta

Fevereiro 4, 2010 at 2:28 pm

Publicado em Crónica

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Update. Bora lá por este blog a mexer

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Terei alguns textos publicados no novo PNEThumor, no qual me apresento aqui.

Written by Marta

Fevereiro 2, 2010 at 1:28 pm

Publicado em Interlúdio musical

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