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A praia. Pormenor

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Há uma série de comportamentos comuns a banhistas do nosso pais – já sei, não é do português, é do humano.
Extrememos a análise, que os extremos são pouco politicamente correctos, mas dão melhores retratos – e pela estética vale tudo, já se sabe…
Vejamos então: há quem vá a praia para apanhar sol, mergulhar no mar, brincar com crianças na areia molhada, ler, correr ou caminhar à beira-mar. Chegámos já ao arrojo de haver quem não leve uma bucha para meio da manhã.
Acontece que a praia com estas pessoas seria só um paraíso, com meninos a brincar, gente a passear à beira-mar, tudo quase, quase silencioso. Aaah… mas e quem se apercebe de um paraíso se não tiver uma varanda com vista directa para o inferno, bem mais fácil de ver e denunciar.
Que seria da praia sem os eternos adolescentes que, aos 39 anos praticam no mar o estilo baleia branca, arrastam-se uns aos outros aos gritos para dentro de água – se forem vestidos, tanto melhor – brincam ao acenar dos calções fora de pé?
Entre chapéus e toalhas onde reina a calmaria os adultos sempre atentos ao asseio das crianças:
– Já estás todo sujo, larga a terra! – que é uma coisa que me fez sempre pensar que ou aquele bocadinho de praia é diferente e há de facto terra e não areia. Se for areia não é sujo, se for terra é ficção científica.
Mais comum é o – Vai-te lavar que vamos embora. Sou eu, eu sei, o defeito é meu, mas “vai-te lavar” lembra-me bidés e mais não digo. O lavar tem normalmente como objectivo não encher “os estofos do carro do teu pai” de areia. E se a criança resiste, é levada à força, o que é sempre um espectáculo bonito de se ver.
Esta coisa das crianças arrastadas para dentro de água não é só à hora de saída, pode durar todo um dia de praia. Não conseguindo, lá desistem, mas sempre deixando as sábias palavras: “Medricas pá! Estás aqui estás a levar e choras com motivo.” E torna-se um frete para todos estar na praia: os pais amuados, os miúdos assustados. Depois das férias ouve-se: “Ganhou medo à água, não percebo”.
Para terminar os alertas de recomendações às crianças gosto sempre de lembrar o que ouvi a um pai. Estava a ficar nervoso a ver o filho, que não teria mais de dois anos, andar praia fora: “Miguel anda cá,!” e o Miguel na velocidade que a idade lhe permitia andava em círculos pela zona. “Miguel, anda já “práqui”! O papá não pode andar atrás de ti que está a papar”. A papa do papá do Miguel era uma “jola”. Fim.

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Written by Marta

Setembro 3, 2009 at 10:18 am

Publicado em Crónica

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