Cose di croniche

As crónicas que saem do Cose Tante. Ou não.

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Roma II (acho que é só o segundo post sobre Roma. acho…)

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As viagens ficam sempre, já se sabe. Dois dias fora que seja sabem bem, é todo aquele cliché de fugir à rotina e assim. Adiante que a minha tolerância a este reconhecimento é mínima e esgotou-se há cinco palavras.
Das não muitas viagens que fiz, tenho-me lembrado – um dia destes sonhei que lá estava outra vez valha-me Deus – da viagem a Roma, em 2009. Já aqui deixei um episódio dessa viagem, hoje fica este com pretensão a postal, sempre com grande espalhafato emocional. Histérica em Roma, eu.
Fui a Roma sozinha. Sim… Cinco dias para desbundar aquela cidade que já toda a gente me associava. E eu sentia esse peso: “mas eu não conheço… Não tenho direito a esta chave virtual que me entregam assim sem mais nada” pensava. E não tinha. E não tenho. Mas pelo menos já lá fui.
Sozinha então, sempre a equilibrar-me entre e euforia de ir e estar em Itália e o nervoso miudinho do “vais sozinha mas tens de ser ajuizada”. O meu problema nem é o juízo, que ainda vou tendo algum e quando o não tenho assumo tudo. São mais as distracções, a cabeça na lua nas coisas mais simples: deixo um casaco em qualquer lado e só me lembro quando me perguntam “isto é teu?”. Coro, dou-me um raspanete introspectivo e acho sempre que não volto a fazer. Mas volto. Em Roma aconteceu parecido, mas em vez de um casaco foi um sms que me esqueci de enviar a dizer “cheguei bem” e enquanto saltitava por Roma por prima volta, e o meu telefone carregava no hotel, havia alguma angustia por cá.
Sozinha e turista assumida. Numa primeira vez gosto de fazer a volta dos monumentos e caminhos convencionais. Gosto e pronto. E fiz.

Mas isto era para falar do circo massimo. Eu fui a Roma com os Neros e os Vespasianos na cabeça, tirei fotografias a todo o torso imperial vestido de legionário que pude, e só não tirei mais porque a meio da via dei fori imperiali fiquei sem bateria. Um lado de Roma era incontornavelmente Império para mim com espaço para História Moderna – os papas, o Papa Julio II e o Castelo sant’angello tatuado no coração para sempre -, e algum (mas em tão bom) Michelangelo. Tudo isto correspondeu às expectativas. Corri o Vaticano sozinha e à minha vontade, apreciei mais armários com seiscentos anos do que o seu conteúdo, passei à frente os pós-modernos e deixei-me levar pelos renascentisas – tenho a convicção de que o Vaticano é mais deles. Mas o este pedacinho de Roma e a minha ligação pagã-metida-num-mundo-cristão ficam para um outro post.
Continuando por Roma. Dei voltas ao coliseu, saltitei pelas ruínas e não fazendo vida local, em Roma fui romana, porque como andava sozinha ninguém me maçou com fotografias ao lado de legionários paquistaneses. Deste passar despercebida, momento de glória no metro: “Lepanto… da questa parte o da quella?” E eu solícita e sem tropeçar num “ah, eu não sou de cá”: “da quella”. Crescida em Roma, eu.
Pegando agora no que era para mim a cidade, uma outra parte de Roma era a squadra azzurra (vide avatar deste blog, não preciso dizer mais e só o refiro porque pode cá passar quem saiba zero sobre mim), mais que Roma ou Lazio, e muito pelo mundial de 2006. Nesse ano devo ter visto todos os videos disponíveis da chegada com a taça, o autocarro pela cidade e a celebração no circo massimo. E foi aqui que se me misturou tudo. O Império sim, mas o circo para mim já quase só foi Cannavaro de fato azul escuro e Totti com os copos. A primeira vez que lá passei ía distraída e conforme avançava, a imagem começou a tomar forma: “eu conheço isto e não é do Ben Hur… ah, foi aqui” e na minha cabeça Seven Nation Army em po po po poooo poo e fratelli d’Italia por milhares de pessoas em formato youtube. Passei lá mais uma vez, e ainda outra (no dia em que percorri Roma a pé tinha planeado apanhar ali o metro para rever uma vez mais). Está feito e fica aqui lembrado. Voltando a Roma posso já não ir sozinha, posso não querer maçar alguém com um “vamos só ver onde se cantou e festejou o tetra”. Ficou visto e foi uma coisa só minha. Mesmo agora voltava a Roma ainda que não fosse para rever este bocadinho. Saudades de Roma, eu…

Um dia destes olhei para o meu calendário de 2010 trazido de lá. Não tem o circo, e é uma pena. Não faz sentido.

Written by Marta

Janeiro 27, 2012 at 10:44 pm

‘bora relembrar Roma e a greve que por lá apanhei

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Está quase a fazer um ano que fui a Roma. Fui na altura do No Berlusconi Day e desse, fiquei avisada no Metro (o jornal) de lá: evitar certas zonas no Sábado. Mas a greve de sexta passou-me ao lado… até ao momento em que aconteceu.
Passei esse dia em São Pedro: museu de manhã, basílica à tarde. Depois resolvi fazer a margem do rio até à Bocca della Verita, seguiria pelo Circo Massimo, voltava a recordar o Mundial com o seven nation army versão pooo pooo poo entoado baixinho, e apanhava aí o metro. Até ao circo, tudo como planeado.
Homens por todo o lado. Ao chegar ao metro, tudo barricado. “È chiuso, è chiuso” diziam eles, abanando a cabeça, a quem se aproximava. Tractores parados na cidade. Ah… comecei a perceber. E foi assim, ao fim de uma sexta-feira, em duas horas, o caos na cidade. Trânsito parado, pessoas a pé por todo o lado. Isto sim, devem ser profissionais da greve.
E eu? Com isto tudo, acabei por fazer São Pedro – Porta Maggiore a pé. Meia cidade, portanto.Levava os frescos do Michelangelo na cabeça, é um facto. O Ben-Hur magnético na carteira e tinha provado um cannolo siciliano, para saber como é ser Joe Pesci (não foi o thrill que imaginei. O cannolo, quero dizer). Juntei a estas memórias, o caminho de uma ponta à outra da cidade.

Written by Marta

Novembro 23, 2010 at 11:26 pm

Publicado em Interlúdio musical

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